é claro que depois acabo em situações como as de hoje, em que tento realmente fazer tudo para além do horário de trabalho e acabo por me sentir fisicamente esgotada, e a sonhar com um banho bem quente que, por enquanto, é mentira.
janeiro 31, 2006
é claro que depois acabo em situações como as de hoje, em que tento realmente fazer tudo para além do horário de trabalho e acabo por me sentir fisicamente esgotada, e a sonhar com um banho bem quente que, por enquanto, é mentira.
janeiro 24, 2006
antónio a. antunes escreve de forma deliciosa: conta histórias com detalhes que potenciam a comicidade do quotidiano e opina e desabafa sobre as personagens de que fala.
o que me impressiona é a destreza do discurso e o querer continuar a ler tudo o resto que ele escreveu.
não me apareçam à frente, não me digam nada.
p.s.: amanhã devo estar melhor
i. no comboio que habitualmente apanho, costumam ir, na mesma carruagem que eu, pai e filho, russos. cheios de classe, discretos, muito altos, perfeitamente barbeados e com um ar imponente e clássico. no país de origem, o pai era engenheiro bioquímico e ensaísta de filosofia política, o filho estudava medicina e escrevia regularmente alguma poesia e contos num jornal. um dia, o pai disse a sua opinião e a pessoa errada ouviu. aqui, trabalham ambos na construção do prolongamento da linha do metro até santa apolónia.
ii. no comboio, sentei-me ao lado de uma adolescente atarefada em conseguir absorver todos os conhecimentos que umas quantas folhas de apontamentos fluorescentes pareciam conter. o barulho na carruagem aumentou, o casal em frente discutia um pormenor de uma iluminura medieval. a rapariga, numa crise histérica inacreditável, grita para que se calem e a deixem estudar. não consegui conter o riso e disse, com uma voz muito branda: "isto é um comboio, não é sítio para tentar estudar." amuou.
iii. já vos aconteceu ir na rua e, de repente, não saberem andar?
- animah disse...
-
isto de ter casais a discutir iluminuras medievais num comboio anda perto do surreal, não? ;)
- ignorantia disse...
-
(ii) ... o som das conversas constantes à volta, os aparentes monólogos para telemóveis, os apitos dos ditos bichos, os estertores dos televisores... picam-me às vezes a glândula da raiva. não o manifesto, sou muito controladinha face ao "mundo". não posso impedir-me de sentir uma pontinha de solidariedade histérica com a alolescente do combóio, não digas a ninguém.
(iii) já me aconteceu ir a caminhar por uma rua, ser de repente invadida pela evidência de uma perda que me acontecera (morte de uma pessoa). pensei que se me mexesse mais um pouco, ia sentir-me ainda pior; que só estaria segura naquele exacto local onde aquele pensamento me tinha surgido... lembro-me de ouvir falar em redor, presumivelmente comentando o facto de eu estar a atrapalhar a circulação; lembro-me até do som das palavras, mas não entendia o que diziam; como se tivesse deixado se entender o português. - João C. Santos disse...
-
Penso que todos quantos se faziam circular nesse comboio tiveram bastante sorte em essa adolescente não estár armada...limitou-se a descarregar a sua raiva, falta de estudo, num berro que a tua calma tornou completamente ridiculo...
O saber andar...fica ainda mais estranho quando a nossa companhia comenta...aí ficamos mesmo sem saber andar...
janeiro 19, 2006
161 t-shirts/tops/blusas (2 delas não estão em condições de sair à rua)
45 calças
60 camisolas
42 casacos/sobretudos
46 saias
24 vestidos
hmm... quer-me parecer que tenho de ir para a feira da ladra ganhar dinheiro e espaço no roupeiro.
- ignorantia disse...
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tu deves ter p'r'aí uns... uns... quase a minha idade, para teres juntado tanta roupa :)
a palavra à minha mamã: "lá que compres a roupa na feira da ladra, vá, mas tinhas que comprá-la toda igual??" :)
~~dhijnla - cassandra disse...
-
ah, isso não: igual não pode ser! já faz uns bons anos que não compro nada lá. gosto da ideia de comprar roupa usada, que foi, um dia, amada pela pessoa que a vestiu, mas da última vez que lá estive, não houve nenhuma peça de roupa que dissesse "leva-me". fiquei muito triste.
- Salsa Latrina disse...
-
Despe! Despe! Despe! Despe...
- cassandra disse...
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a esta hora?! não me apetece mesmo nada...
- Salsa Latrina disse...
-
Ok, ok. Volto a pedir mais lá para o fim da tarde.
- ignorantia disse...
-
roupa amada por alguém que a vestiu, entendo, eu cá prefiro vestir roupas que vestiu uma pessoa que eu ame... uma tradição iniciada na pré-adolescência. conservo-a ainda hoje, se bem que limitada: lenços, écharpes, pouco mais; pulseiras também. sentir algo assim como uma presença constante, uma espécie de amuleto. faz algum sentido isto, ou achas que sou louca? ;)
de facto, eu nunca comprei roupa na feira da ladra; a minha mãe referia-se a eu comprar roupas "sem préstimo"...
~~pygua - cassandra disse...
-
faz muito sentido, sim. eu tenho um cachecol do meu primeiro namorado. tá velho e as cores já nem se percebem bem, o pêlo fofinho agora tá gasto, mas é o meu preferido: tem cheiro de meninice.
- cassandra disse...
-
mas na verdade, agora que penso nisso mais a sério, não acho piada a usar roupa de pessoas de quem gosto. é como se estivesse a tentar apropriar-me da pessoa, não?
- ignorantia disse...
-
não, cassandra. no meu caso não é.
é mais assim: lembro-me, toco na peça de roupa (de alguém ausente no momento), pacifica-me
então, sempre pensas q sou louca?? ;)
~~vjrttk - cassandra disse...
-
olha lá, mas tu ficas com a roupa da pessoa?? e a pessoa sabe ou não sabe que tu tens a peça de roupa que, imagina tu, foi a madrinha que lhe ofereceu no aniversário antes de lhe ter morrido o hamster de estimação... :))
- Salsa Latrina disse...
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Tão errado estava quando julguei que, nesta constante insistência da ausência de roupa, eu é que era o tarado destes comentários.
- ignorantia disse...
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cassandra, a pessoa em questão sabe que eu a amo; e que uso a roupa... aliás, pergunto sempre se posso fazê-lo.
"ficar com"? significa o quê?? se se ama alguém, esbatem-se as fronteiras de "meu" e "teu".
olha, acontece-me também ir ler livros de que essa pessoa me disse gostar em criança; e falar-lhe daqueles de que eu gostava; e ler-lhos.
talvez aches piada se disser que tb sou impelida a trocar o nome com a pessoa amada, chamá-la pelo meu nome, para que ela me chame pelo dela...
nesta área, tenho todavia alguns tabus invioláveis, relacionados com correspondência (papel ou mail) e coisas escritas: sou incapaz de(repugna-me) ler sem ser convidada a isso. espero igual tratamento em troca.
quanto ao risco a q aludes, de usar uma peça de roupa "com significado"... oh menina, se eu amo alguém, a sua madrinha e o seu hamster de estimação... SOU EU! :))
bom, vou-me, antes que assuste os leitores do teu somatos...
~~yeubo - disse...
-
gostei do que li, fez-me relembrar o acordar de madrugada para ir à feira da ladra.....
...............que saudades...
janeiro 18, 2006
e quando o faço, deixo-me ficar quietinha a olhar a chama bonita. caio num silêncio estranho, que é difícil de explicar, que ninguém cá em casa percebe.
é quase admiração pelo tremeluzir corajoso de algo tão fugaz.
- ignorantia disse...
-
desde eras remotas, era eu era pequenina, sempre me aconteceu, ao falar com alguém à luz de uma vela (ou ao fogo de uma lareira, sem outras luzes), acabar por contar, dizer coisas que à luz "normal" não contaria... não que fossem coisa muito graves, ou importantes, apenas coisas que, contadas, me "desprotegiam", revelando-me. aliás, da última vez que descobri q estava apaixonada por alguém foi à luz de 2 velas... e continuo assim (apaixonada; electricidade, já tenho outra vez) :)
a chama induz as revelações,será?
p.s. - ei, sabes o que me calhou aqui como "word verification" do blogger?? pois foi: xmfogo. se ler o x à inglesa, vejo: és-me fogo...
a palavra, mesmo sem ser proferida, é na verdade som, imagem, cor, odor, textura.
in marc de smedt, elogio do silêncio (sinais de fogo, 2001)
Etiquetas: livros
como prevenção, tenho uma armadilha à entrada da bolsa, logo depois do ziper: caso alguém tente tirar alguma coisa, é imediatamente atacado por alfinetes sedentos de sangue!
janeiro 17, 2006
- ignorantia disse...
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um carro, mesmo, mesmo? de andar nas estradas? um automóvel? puxa, se isso é verdade, aqui me tens completamente surpreendida... não se ajusta à minha ideia de cassandra ... :) estas segura que nos estas haciendo bromas?? :)
já pela perspectiva de aconchego, soa já aconchegante apaixonar-se alguém por isso ...
~~marta - cassandra disse...
-
eu também não quero acreditar, mas olha, o carro é bem giro! o engraçado é que eu não sei conduzir, ainda nem sequer comecei as aulas teóricas e até há pouco tempo era absolutamente contra tudo o que envolvesse beneficiar a indústria petrolífera.
- ignorantia disse...
-
não fazer nada que beneficie uma indústria, bem arranjada estaria eu se me metesse a uma decisão dessas... :) não tenho já idade para compromissos tão deliciosos como esse... hehehe. viveria pior sem um carro, teria menos tempo, iria menos longe, tudo isso. and, as a matter of fact, a car like mine (safe, concise, fast) suits me well.
o que queria dizer na minha, oh cassandra, é que não te imaginava "apaixonada" por um carro. nem a mim imagino, claro. olha, apaixonava-me mais depressa por estes auscultadores que tenho nos ouvidos, onde magdalena kozena canta bach, uma voz, uma música que me endoidecem de paixão, ein feste burg ist unser gott.
um carro é também uma arma, é bom não nos esquecermos disso, os que usamos um por aí. - RuiRomano disse...
-
Eu sempre desconfiei que a Cassandra era do Tuning.
- cassandra disse...
-
ah, sim! sou do tuning, claro, já se estava a ver uma coisa dessas! :)) é um micra de um vermelho sólido. absolutamente meu (no futuro).
janeiro 14, 2006
- 1/2 litre de lait entier
- 1/4 de litre de crème liquide entière
- 6 jaunes oeufs
- 200 g de sucre poudre
- 3 poignées de verveine fraîche
- 1/2 citron vert
porter à ébullition le lait et la moitié du sucre. plonger les feuilles de verveine fraîche 20 minutes à couvert.
blanchir les jaunes d'oeufs avec le sucre restant, émulsionner avec le laità la verveine. cuire à 83º.
incorporer la crème liquide. passer au chinois étamine. laisser refroidir. incorporer le demi citron vert. turbiner.
in christian margheritti, la glace: dix façons de la préparer (éditions de l'épure, 2001)
na memória inventada
janeiro 11, 2006
kingyo é a arte japonesa de cuidar de peixinhos dourados.
kyudo é a arte japonesa do domínio do arco.
ikebana é a arte japonesa dos arranjos de flores.
equilíbrio é sempre a palavra chave.
uma rapariga doce, bonita e graciosa, com um rosto de traços harmoniosos e equilibrados, de cabelos cor de avelã ou mais claro mas não muito, olhos entre o verde e o castanho, que use saias com alguma frequência, sobretudo durante o tempo solarengo, que seja muito bem-educada, que não diga asneiras, que não cuspa, arrote ou se peide (nem em público nem em privado, a menos que esteja num w.c.), que tenha bom gosto e que tenha um excelente sentido de humor, assim como alta tolerância a jogos de computador, star trek, abba, evanescence, mylène farmer e música gótica em geral.
o meu irmão tem 25 anos e precisa de uma namorada assim.
p.s.: dão-se alvíssaras em forma de carinhos da parte de toda a família.
- ignorantia disse...
-
e quem é que não precisaria de uma namorada assim??
quanto ao teu irmão, precisará mesmo, ou tu é que achas que ele precisa? é que nem sempre coincide, aquilo que desejamos e aquilo que a família acha que nos faz falta... (o "nos" é retórico, claro). - Salsa Latrina disse...
-
Eu conheço uma rapariga que está dentro desses parâmetros. Ah..não, acho que cospe.
- cassandra disse...
-
ele é tímido... muito reservado. e precisa de sexo. como todos nós.
- Salsa Latrina disse...
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Evanescence? Isso não vai lá com sexo!
- cassandra disse...
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eu não suporto mais ter de ouvir aquilo, sabes... voltem abba, estais perdoados!
- disse...
-
Eu sou assim, e ia oferecer-me ... se fosse para ti
- cassandra disse...
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não seja por isso, simplesmente maria :) vamos conversar ;)
- Salsa Latrina disse...
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...sou só eu que estou a notar o calor ou já há aqui mais gente a transpirar?
- animah disse...
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hmmm! ;)
janeiro 10, 2006

divertia-se a folhear revistas insignificantes. sentia-se fraca e inútil. os filhos crescidos, o marido distante que não fazia segredo da relação extra-conjugal que mantinha, a sogra que a atormentava com saberes muito sui generis. esperava o comboio chegar, como todos os dias fazia. e, pela primeira vez, pensou em atirar-se para a linha segundos antes da voz anónima anunciar a entrada da composição na linha nº 4.
- Claude Richard disse...
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Nice pics.
Happy New Year ! - disse...
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oi cassandra... eu estava procurando uma musica q tem o mesmo nome q o seu e te emcontrei... nao tive tempo de ver seu eskema dirieto..mas te axei interesante.... virei aki masi vezes... bjus metalicos
- cassandra disse...
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não sabes escrever em português, ó garoto das treva?
i. uma colega de trabalho ensinou o marido a mijar sentado
ii. um cliente empilhou umas quantas enciclopédias e sentou-se em cima delas
iii. uma cliente queria, à viva força, comprar um conjunto de guardanapos
- R2D2 disse...
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Confesso: de manhã, ainda a dormir, faço-o sempre. Mas não precisei de ser ensinado :)
janeiro 08, 2006
janeiro 04, 2006
ureshii (jap.): feliz, contente, satisfeito, exultante, eufórico, animado, extático.
adoro fazer amor contigo e aconchegar-me no nosso calor e sentir-te dentro de mim,
gosto das minhas manias, que são poucas, e rio-me de alguns dos meus defeitos,
gosto particularmente daquele instante em que estremeces durante o sexo,
gosto de livros e de trabalhar com livros e de os ver desaparecer das estantes, fugindo na mão de clientes cativados por um título ou uma capa ou um nome,
gosto de dar a conhecer bds interessantes a quem estiver interessado,
gosto de aprender. gosto sobretudo de aprender outras línguas,
gosto da ideia de continuar a crescer, por dentro,
gosto de acreditar nas pessoas,
gosto de escutar histórias de noites mal dormidas e gosto de escutar silêncios com histórias por dizer,
gosto de ouvir os amigos e gosto muito de rir acompanhada,
gosto que me olhes e me elogies o cabelo que cresce ou a pele suave debaixo dos teus dedos,
gosto quando as pessoas reconhecem o trabalho bem feito e quando assumem as suas responsabilidades,
e gosto de pessoas que se orgulham do que fazem e dão passos gigantescos em frente na vida!
actualização: 04 de janeiro de 2006
- disse...
-
gosto: critério que nos permite distinguir o prazer do(s) sentido(s)
[gosto do teu gosto :)] - S. disse...
-
e eu gosto de te ler. :)
- ignorantia disse...
-
ola
dah muito trabalho fazer os acentos neste computador, sorry. apetece-me mesmo contar uma coisa que se passou na minha cabeca ha pouco, tem relacao com este post.
estava a consultar umas coisas na net, de repente ocorreu-me dar uma olhadela ao somatos. assim, out of the blue, sem mais nem porque. o engracado eh que pensei estas palavras: "vou dar uma olhadela ao blog da crisalida". sim! chamei-te mentalmente crisalida! claro que queria dizer cassandra, mas acontece que estou cansadissima, a mente assim para o confuso... estas a ver, a forma por que passam os insectos nas suas metamorfoses de crescimento, em que formam um casulo, de onde emerge... the real thing.
abro o somatos, e que encontro? a tua palavra do dia, henka, mudanca transformacao.
nao eh extraordinario? ou, pelo menos, nao eh ordinario e eh curioso. coincidencias!
imagino-te entao, asas tremulas contra a luz que espera.
decido voltar aqui para comentar e... ah primeira vista, o post da henka desapareceu... não! tu postaste foi outros a seguir
entao: que estejas feliz... crisalida. quero dizer, cassandra.
~marta - cassandra disse...
-
tão linda!
sabes q sempre quis ser uma borboleta?
janeiro 03, 2006
estou com uma gripe e só penso no corpo do meu amante.
- sofia. disse...
-
Boas melhoras
- António A. Antunes disse...
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o mundo, enfim... é então mais belo.
suponho.
só hoje visitei a origem do amor.
eu gosto de colher amoras,
gosto de cheirar hortelã brava,
gosto do cheiro da madeira e gosto do cheiro da terra molhada,
gosto de ver o meu corpo debaixo de um lençol branco banhado de sol,
gosto de saias e gosto de tocar os tecidos das roupas e adivinhar se me caem bem,
gosto de ver o nascer do sol ou o pôr-do-sol ao sabor de uma maçã sumarenta,
gosto olhar o céu de verão estrelado,
gosto de sentir os pés enterrarem-se em areia fina e morna,
gosto muito de ver os relâmpagos de uma tempestade e tremer ao som dos trovões,
gosto de apanhar seixos macios e pequeninos ou conchas molhadas de mar,
gosto de correr por uma colina abaixo,
tenho saudades de adormecer num prado cheio de flores,
amo sentir o sol beijar-me a pele,
gosto de escutar o silêncio de um bosque ou de uma montanha,
gosto de caminhar de olhos fechados ao longo de uma praia e sentir a água banhar-me os pés,
gosto de vaguear por entre as campas de um cemitério, murmurando o nome dos mortos,
e gosto de ver o baile da chama.
04/Out/2003
irritada não cobre o meu estado de espírito actual.



Cassandra,
bem te percebo... Com o tempo lá fui aprendendo que temos mesmo que delegar e supervisionar...
Nao te abales pelo excesso de trabalho.
claro que não :)) isto é passageiro e eu saberei lidar com a situação. tenho é de ter um pouco mais de paciência.
diz ...