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Outubro 12, 2009

almoço fresco



um molho de espinafres
1 kiwi
1 pêra
1 maçã
sumo de 1 laranja
sumo de 1/2 limão
salsa & hortelã

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Setembro 04, 2009

almocito



1/5 abóbora
1 pêssego
canela



1 tomate bem maduro
espinafres
2 fatias de abóbora

molho:
grãos de mostarda
hortelã
manjericão
coentros
salsa
1 tomate maduro
sumo de 1/2 limão
1/2 pimento jalapeño



pinhões e sultanas para misturar

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Setembro 02, 2009

figos



nem me lembro quantos figos estão aqui mas foram muitos, uns cajus e uma colher de chá de néctar de agave. deixei a secar ao sol e ficou saboroso, mas ainda relativamente húmido. se calhar, mais 24 horas e teria ficado com outra consistência. fica para uma próxima.

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Agosto 27, 2009

sobremesa da casa



1 abacate
1 banana
1 pêssego
1/2 colher de chá de canela
100 ml leite de coco

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Agosto 22, 2009

o almoço de ontem


salada de espinafre roxo, tomate, pepino, meloa, pinhões, sumo de limão, pitada de sal, dente de alho, fio de azeite.


a sobremesa levou 1/2 manga, 4 amoras, pedaços e raspas de coco, canela e raspa de limão.

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Agosto 16, 2009

ler somerset maugham é como chegar a casa e descobrir que afinal a parede da sala não era bem azul e sim verde: quando o li pela primeira vez (14 anos: o fio da navalha, livros do brasil, 1967), o mundo ganhou nova dimensão, e a empatia que senti com as personagens deixou-me francamente deslumbrada. dez anos mais tarde, li of human bondage e as ligações intrincadas entre as figuras que ele imaginou mas não completamente levaram-me a considerar esta obra como o expoente sacrossanto deste autor.
agora estou a ler uma colectânea de contos, far eastern tales: delico-doce é como melhor consigo descrever a escrita de somerset maugham, e como fica aquém da realidade da mesma.

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Blogger gonca disse...

Pois é, "Of human bondage" é o livro que me mostrou que o amor é uma escravidão pura e insensata, e é por isso que é maravilhoso. Sugiro-te que leias "Cakes & Ale", vais adorar a ousadia da personagem principal. Bjo grande.

22/8/09 22:37  

diz ...

Julho 29, 2009

a big pharma quer cobaias, e o que a big pharma quer...

final dos anos 70: um surto de uma gripe semelhante levou à vacinação desenfreada e desinformada de milhares de crianças, tendo, centenas delas, sido diagnosticadas posteriormente com danos irreparáveis no sistema nervoso (em muitos casos, levando mesmo à paralisia). a indústria farmacêutica, numa negação da realidade e dos factos, inventa uma doença, a que chama síndrome de guillain-barré, que nada mais é do que síndrome de vacinação tóxica. ainda hoje, os médicos não conseguiram isolar os factores causativos do síndrome de guillain-barré (e não devem querer mexer mais na merda que fizeram), com sintomologia de doença auto-imune.

não vou levar com esta vacina porque:

i. não sou um macaco ou um porquinho-da-índia, tenho juízo suficiente para entender que uma vacina não testada, não regulamentada e para todos os efeitos, "apressada", não pode constituir uma boa medida de prevenção sanitária nunca;
ii. a vacina até poderá aumentar o risco de morte pelo próprio vírus H1N1 porque altera e pode mesmo inibir o sistema imunitário e a sua capacidade de resposta, tal como o director-geral da saúde português alertou (no caso, referia-se ao oseltamivir);
iii. mesmo que a vacina corra mesmo muito mal e acabe por matar muita gente, a indústria farmacêutica não será responsabilizada, dado que o governo norte-americano garantiu imunidade total caso a eficácia das vacinas seja posta em causa. qual é, afinal, a obrigação da big pharma para produzir vacinas seguras, quando o pagamento é feito mediante a quantidade e nunca a qualidade?

p.s.: a vitamina D é o melhor remédio natural para prevenção de qualquer vírus gripal.
o nosso almoço



a minha mãe e eu estávamos em casa, a gozar o último dia de férias, e como ela decidiu dormir até quase bater com a cabeça na cabeceira, fiz uma salada gigante de rebentos de rabanete, alfafa e soja, com espinafres e um pepino pequeno aos cubos, regados com um molho composto por cenoura triturada com duas pêras bem maduras, azeite, sumo de limão, alho e cebola, e aproveitei os três últimos tomatitos cereja que tinha. depois partilhámos um pêssego.

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Julho 14, 2009



wilson, andrew, beautiful shadow: a life of patricia highsmith (bloomsbury, 2004)

quando vi chegar o livro, ouvi-o sussurrar: "vem cá. de certeza que não me queres? toca a minha capa, vá. e abre-me, folheia-me. sabes quem sou?"

e não sabia, mas patricia highsmith foi uma mulher extraordinária.

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Julho 07, 2009

"he set up his tripod and began to take photographs: east, west, all directions, shifting his camera with precision, as though he had marked out a grid on the ground. the camera clicked and clicked, like a gecko in his mating season.
i remembered the photographs in his house and wondered why he was never shown in them. was it because he had always been travelling on his own? 'let me take some pictures for you, so you can be in them as well', i offered.
he declined. 'my face would only spoil the pictures' ."



tan twan eng, the gift of rain (myrmidon books, 2007)

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Julho 03, 2009

"a américa faz os melhores fundamentalistas"

a frase é dele, não minha. entrou numa discussão de cariz religioso (de vez em quando, alguma questão política aflora) com alguém infantil que acredita que tem de "mostrar o erro" dos seus interlocutores quando não concorda minimamente com estes. algo que não lhe dá qualquer prazer, mas "por amor", fá-lo.
isto é, anda numa missão de evangelização em que recorre inescrupulosamente a ideias deturpadas sobre outras crenças de modo a que encaixem nos seus silogismos de verdade teológica com o único objectivo de convencer alguém de que a fé em cristo é a única redenção possível.
fundamentalmente absoluto e ingénuo.
"x: disse que a commonwealth britânica do séc xvii, após a vitória do parlamento sobre o rei carlos i, marcou a criação do primeiro governo constitucional e democrático da Europa ocidental, populado por deputados puritanos (cristãos calvinistas). pode-se argumentar pela [sic] democracia grega - donde o nome deriva [não deriva, é exactamente o mesmo: democracia] - mas se leres a república de platão saberás que os gregos tinham-na como forma decaída de governo [e se realmente lerem a república de platão, podem descobrir que platão e outros filósofos e políticos estavam empenhados em manter um equilíbrio socio-político que respeitasse as premissas económicas daquele período naquela região específica, e que a população se exprimisse no sentido de criticar ou elogiar o trabalho dos legisladores], sendo liderada por sofistas e redundando sempre na tirania dum homem que galvaniza o povo [digam-me onde está a diferença relativamente a algumas das democracias que hoje encontramos no ocidente; eu diria inclusivé que o ocasional tirano é já um clássico expulso do ventre descaído da democracia].
porém, as democracias federais de que te falei deviam muito pouco ao modelo grego, que incluia [sic] escravatura e expatriava dissidentes. [muito bem dito, mas a verdade é que as democracias ocidentais tratam os imigrantes como os cidadãos gregos tratavam os seus escravos, o que não invalida a democracia. o escravo não é cidadão, logo não vota. tem poucos direitos. surpreendentemente, a força policial da antiga grécia era composta maioritariamente por escravos.]

Junho 25, 2009

há um cliente regular que aparece no 1º e 2º sábados de cada mês na feira da ladra para comprar cuecas usadas: chega, cheira apreciativamente, atira-as para dentro de um saco com um esgar entre o satisfeito e o ansioso, e paga.
se lá estou, fica a olhar para mim durante alguns segundos e desaparece logo a seguir como que acometido de lembranças ou obscenidades. regressa quando, ao longe, vê que já lá não estou.

Abril 26, 2009


fiz esta saia esta manhã, acordei com a vizinha de cima a aspirar às sete da manhã.
Blogger Daniel disse...

Assim é a vida na colmeia. Já é razoável que ela não aspire o chão de saltos altos, como nos anúncios.

A saia parece ter ficado bonita.

10/5/09 16:35  

diz ...

Abril 14, 2009

há cerca de 2 meses embarquei na viagem da minha vida sem sair do meu canto, do meu mundo.
iniciei-me na filosofia da comida crua.
isso mesmo: comida crua, rica, viva, não cozinhada, não adulterada e, sempre que possível, biológica.
numa semana, perdi 5 quilos. no mês seguinte, mais um quilo que se evaporou.
subtis mudanças ocorreram entretanto: perdi muitos centímetros na cintura, que ficou bem mais definida. as ancas agora afirmam-se como tal, senhoras da minha feminilidade. a minha pele está ainda mais suave.
caramba, vocês não imaginam o bem que isto me fez! agora acordo e sinto-me a vibrar de energia. a capacidade de percepção e de raciocínio melhoraram, mas melhor que isso, estou mais atenta e mais tranquila.
limpou-me por completo! livre de lixo, toxinas, químicos, entulho desnecessário à sobrevivência ou mesmo a uma vida saudável.
fui limpando também o guarda-roupa: livrei-me de coisas velhas, de roupa (tanta, mas tanta!) que deixou de me servir. aliás, restam-me um par de jeans e uns corsários, os únicos que me servem, têm eles quase 5 anos.

o processo de recuperação ideológica começou talvez no ano passado, com uma série de documentários, pdfs e docs, acerca do raw. leva algum tempo, mas quando ouvimos finalmente o "click", não há volta, não conseguimos voltar aos erros que cometíamos, ao lixo com que nos matávamos lentamente.

alguns links interessantes:
raw food explained
raw kitchen blog
daily raw cafe
raw freedom community
gone raw (milhares de receitas deliciosas e um forum muito completo)
garden diet (um documentário feito por eles foi o ponto de partida para mim)
feral foods

uma palestra da drª rozalind gruben
esta é a palestra mais importante se quiserem realmente perceber o tanto que têm a ganhar com uma alimentação saudável.

alguns livros:
12 steps to raw food
conscious eating

agora, começo também a pensar na viagem que me vai levar para o outro lado do planeta.
sim, meus caros, vou mesmo embora daqui.

Março 13, 2009

o meu almoço



esta salada é mais colorida porque misturei-a com manga, maçã e cenoura desfeitas no processador. depois acrescentei dois tomates chucha, duas ameixas secas e reguei com azeite.

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Março 03, 2009



laerte, os gatos - bigodes ao léu (devir, 2007).
o meu almoço



salada de alface roxa, espinafres e rúcula, coberta de cenoura e pimento verde picados.
levou gengibre finamente cortado e uma pitada de sal, umas passas e umas avelãs.
infelizmente, a gripe afectou-me de tal forma que acabei por não ficar muito satisfeita com a presença do pimento ali. de resto, tudo delicioso. e comi na saladeira, portanto, é muita comida para mim!


a sobremesa



uma banana madura, 5 morangos médios, sumo de meio limão, raspa de casca de limão, canela e agar-agar. polvilhei com raspas de coco e raspas de casca de limão. simples, bonita e saborosa.

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Março 01, 2009


a miki na minha cama...



e surpreendida à janela.
o meu almoço



a partir de uma receita aqui, fiz uma outra (descobri que se tinham acabado as cebolas e não tinha malaguetas):

no processador, desfiz uma manga, umas tiras de abóbora, salsa, gengibre, alho, acrescentei um pouco de água e noz-moscada.
continua poderoso, sobretudo por causa do alho e do gengibre qu vão ajudar a eliminar a gripe que subitamente me atacou.

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marshall mcluhan (1911-1980)



"mcluhan believed that any language carries much more power in itself than any particular message that can be expressed through the language. he saw languages as corporate masks for the collective energy of their speakers."

"technologies create new environments, the new environments create pain, and the body's nervous system shuts down to block the pain (...).
this transition has involved a relentless acceleration of all human activity, so extensive that the expansionist pattern associated with the older technology now conflicts with the contracting energies of the new one."

"man is the only animal to control time as a dimension of his environment."

"society prefers somnambulism to awareness."


in gordon, w. terrence, hamaji, eri & albert, jacob, everyman's mcluhan (mark batty publisher, 2007).

este livro veio parar-me às mãos por acaso; só agora o li, mas o interesse já se instalou: vou ter de ler os originais de marshall mcluhan, onde ele fala sobre os media e como a sua influência na sociedade actual deve ser travada e controlada.

Fevereiro 25, 2009

pudenda glorificata

agora já todos sabem que l'origine du monde é uma tela da autoria de gustava courbet, um pintor anarquista francês, pintada em 1866, e que a mesma se encontra exposta não só no musée d'orsay, em paris, como na capa da edição portuguesa do livro pornocracia de catherine breillat, pela teorema.
e aposto que andam todos a perguntar pelo raio do livro em todas as livrarias, munidos de recortes de jornais com a reprodução de courbet, porque, meus caros, estes portugueses são moralistas, não conseguem dizer a palavra vagina sem se engasgarem e por detrás do moralismo escondem-se perversões sexuais que se pretendem ignoradas.

espreitem também o bitaites, fala mais sobre essa disfunção social.

p.s.: o livro é muito mau. mesmo.
nikos kavvadias (1910-1975)



'se réveiller et se trouver dans un pays où l'on vient pour la première fois. on se frotteles yeux, qui sont rougis et fatigués. on voit trouble. des hommes que l'on n'imaginait pas. on s'attache à eux. on s'en va. on se souvient d'eux quand on reste pour un temps chez soi, à l'heure où l'on se couche pour dormir. le souvenir n'a de valeur que quand on sait que l'on repartira pour un nouveau voyage. le pire des areniements, le plus grand désespoir est de jeter l'ancre dans son pays et de vivre de souvenirs.'(1)

o título original deste romance é vardia, que significa "render da guarda". kavvadias foi sobretudo um marinheiro. escreveu sobre as suas melancolias e desventuras, na maior parte das vezes sob a forma de poemas e muito do que escreveu foi adaptado em canções que ainda hoje se cantam por toda a grécia, esse país tão ligado ao mar.
no entanto, escreveu este romance, o seu único romance, e é tão amargo e lógico e repleto de mágoas que, muitas vezes, só se adivinham nas entrelinhas que eu não podia deixar de o referir aqui. li-o como uma grande confissão sem pudor, com o desfile de prostitutas, memórias, portos, paisagens e amigos a fazer de mim uma aspirante a marinheira também.
como se fosse um novo odisseu encalhado entre ilhas e ventos, nikos kavvadias fala do absurdo, mas sobretudo da relação entre o homem e o mar.


(1) in nikos kavvadias, le quart (éditions 10/18, 1994), p. 219. comprei a edição da 10-18 há sete anos, após me ter sido aconselhada a leitura de um poema seu, cujo nome não me recordo, por um ex-marinheiro cliente assíduo da livraria onde trabalho. essa edição esgotou duas semanas depois de a ter comprado. há três meses foi reeditada esta obra intimista, pela gallimard, na sua polida colecção folio.

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o meu almoço


salada de pepino, tomate e verduras várias, com um fio de azeite a temperar.
a sobremesa ficou fantástica: cajus amolecidos desfeitos em papa com leite de arroz, polvilhado com sultanas, coco e canela.

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Fevereiro 23, 2009

hermann ungar (1893-1929)





desde que descobri este autor checo, por mero acaso, há uns anos atrás, num catálogo de uma pequena editora, que o meu coração não bate da mesma forma quando pego numa das suas obras para reler.
é um misto de ansiedade e de arrebatamento: custa-me dormir quando leio ungar.

em 1920, publicou duas novelas escritas em alemão, "a man and a maid" e "story of a murder", sob o título boys & murderers, que viria a ser o título dado, pela editora checa twisted spoon press, a uma colectânea onde se incluem aquelas novelas e uma série de contos, alguns nunca antes publicados.
thomas mann escreveu no prefácio a uma recolha de contos de ungar, "colbert's journey", publicada em alemão em 1930:

' in his unlaughing comic sense, his sexual melancholy, in the bitter and often uncannily deliberate way in which he expresses his vision of life - in his mental and even his physical physiognomy there is a pallor, a fatal mark, an austere hopelessness.'(1)

três anos depois, publicava the maimed (2), que gerou muita controvérsia devido ao conteúdo sexual explícito e à violência eroticizada(3). e, na verdade, franz polzer até vive no mesmo cosmos que joseph k., seu contemporâneo. os medos e as pulsões são os mesmos, mas a neurose do primeiro é vivenciada de uma forma interna: polzer está preso a convenções, a regras sociais, a condicionalismos profissionais, ao decoro, e a um conhecimento tão extensivo de todas essas prescrições que o mesmo se torna sufocante (4), a tal ponto que extravia completamente do seu lugar na sociedade, primeiro em consciência, e na fase final quando passa à acção desmesurada. polzer é um mutilado, é imperfeito e essa é a sua frustração, porquanto ser perfeito como todos os outros, indistinto na multidão, era tudo o que sempre desejara.


em 1927, era publicada the class, onde hermann ungar nos apresenta mais uma personagem multidimensional, de seu nome josef blau, professor de profissão:com a ansiedade e o nervosismo presentes, acompanhamos este indivíduo extremamento inseguro diante dos seus alunos, que imagina virem a revoltar-se contra ele, reduzindo-o a uma anedota, desde a tentativa de impôr uma rigidez e uma disciplina gélidas na sala de aula às alucinações e às náuseas constantes quando percebe que a mesma disciplina que ele pensara servir de controlo despoletara já o movimento de rejeição total, de rebelião.

'josef blau hesitated for a moment before opening the door. would the shouts die away when he entered, would they submit, sitting at their desks, look at him in silence, or would the rebellion that would sweep him away break out immediately? he opened the door. the boys stood up, then sat down in silence at his sign. he did not look at the class. he felt their eyes on him, testing, probing, piercing, shameless eyes rumaging round inside him, curious eyes that missed nothing, neither a new line that had etched itself on his face, nor a different, more hesitating step, nor a changed heartbeat.' (5)


a escrita é crua e incisiva, a linguagem inteiramente desprovida de artifícios.
será esperar demasiado que seja, um dia, editado em português?


notas:
(1) in hermann ungar, boys & murderers (twisted spoon press, 2006), p. 10.

(2) existem duas edições em inglês, ambas publicadas em 2002: a primeira, pela dedalus, foi traduzida por mike mitchell; a segunda edição é da chancela da twisted spoon press, com uma tradução de kevin blahut.
(3) stefan zweig expressou a opinião generalizada, dizendo que era uma obra surpreendente e horrível, cativante e repulsivo, inesquecível, embora uma pessoa gostasse de ser capaz de a esquecer.
(4) sempre achei que a desorientação em crescendo de joseph k. existe numa dialéctica tensa com a ausência de identificação, de delimitação, ausência mesmo de agente opressor, mas não se fica por aqui claro, nem pretendo aspirar a analisar esse labirinto.
(5) in hermann ungar, the class (dedalus books, 2004), p. 150.

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o meu jantar


aqui temos uma base de alface roxa e espinafres, com tiras de abóbora e rodelas de courgette. cortei gengibre em pedacinhos, desfiz umas três avelãs, um pedaço de tomate seco, misturei com sumo de limão e reguei com azeite do lagar da minha tia.
acho que estou a melhorar. a sobremesa? um pêssego.

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o meu almoço


ora bem: temos tiras de cenoura, tomate, passas, pepino verde e outro laranja, folhas de alface roxa, rúcula e espinafres. o molho só leva alho, sumo de limão, azeite, sal e pimenta.

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Fevereiro 18, 2009

Blogger Höller disse...

Ainda vi este senhor no CC Roma em amena e alegre cavaqueira com o segurança do centro :)

23/3/09 17:10  
Blogger Höller disse...

... Ainda ONTEM vi este senhor...

23/3/09 17:11  

diz ...

os eleitores e as fraldas para bebés são muito mais descartáveis do que o desejável para a saúde pública e o ambiente, mas ser político em portugal é para toda a vida: garantida a situação financeira estável com a ocasional surpresa agradável fornecida por um amigo de longa data a precisar de um favor.
e não precisam de pensar muito para perceber que os políticos de hoje são os mesmos de há 10 anos e de há 20 anos.
hoje têm poder executivo, há anos atrás assinavam contratos públicos para construções de grande envergadura (leia-se, com derrapagens orçamentais e temporais) com fundos estruturais da união europeia, ou anunciavam lucros exorbitantes nalguma instituição bancária.
alguém confia nestas pessoas? vivemos numa democracia, teimam eles, e esfregam essa ideia nos meios de comunicação, mas será verdade? o descaramento com que os políticos, actualmente, agem, erram e se escusam à responsabilização seria impensável numa verdadeira democracia.
somos nós que lhes damos estas oportunidades.
nós todos, quando votamos, dizemos "agora vai lá e trabalha para tornar este país um bocadinho melhor". mas tudo o que vemos é um grupo de políticos e amiguinhos que, ao longo de anos, vai alargando o sorriso e a barriga que nunca soube o que é miséria.

por isso, temos de parar.
parar mesmo e pensar no que estamos a fazer: se devíamos desligar a televisão, ignorar os ditos
opinion makers (todos eles ganham muito mais que o português médio), ignorar os jornalistas que, apesar de escreverem romances e sorrirem feito tontos, não sabem pronunciar o nome do rio Sabor, ignorar os anúncios publicitários que tentam e desviam a nossa atenção do que é verdadeiramente importante.
é tempo de parar e reflectir no que podemos fazer por nós. pelo país onde vivemos.
parar e reflectir se é tempo de uma nova revolução.
e de que forma cada um de nós pode fazer uma revolução.

de acordo com a lei, as eleições autárquicas são marcadas pelo governo e realizam-se entre 22 de setembro e 14 de outubro; as legislativas são marcadas pelo presidente da república e realizam-se entre 14 de setembro e 14 de outubro; e as europeias são em junho, igualmente marcadas pelo presidente da república.

não se iludam. neste momento, nós não decidimos nada.
só a acção pode conduzir a novos processos, novas políticas, novas vidas.

Fevereiro 11, 2009

bōnen no xamdou


e agora? porquê nós? porque eles? temos mesmo de lutar uns contra os outros?
quando é que isto vai acabar? há quantos anos nos arrastamos, em batalhas infindáveis, indecisivas, insanas, teimosas?


ainda sei quem sou. sim, eu sei quem sou, onde nasci e cresci, e lembro-me de tudo. lembro-me de ti. lembro-me de nós. não sei onde estou, se vou voltar a ver-te, por isso vou escrever-te. onde quer que eu vá, vou escrever-te, vou contar-te as minhas aventuras, vou sentir a tua falta, mas quando nos encontrarmos, conto-te tudo de novo e aí vais perceber.


na guerra, há sempre amigos que se perdem. o importante é acreditar numa causa nobre e defendê-la. a guerra em si nunca é nobre.

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Fevereiro 09, 2009

1196 postagens depois, eis o somatos com cinco anos de existência.
a ver se a paisagem muda.
um abraço!
Blogger Tiago Franco disse...

5 Parabéns!

Há festividades?

11/2/09 16:02  

diz ...

Fevereiro 05, 2009

a vida tem de ser mais do que uma sucessão de códigos sociais.
eu não sou um somatório.

Janeiro 22, 2009

às escuras é que é bom



não é que eu não queira saber o que está lá ao fundo, mesmo no fim da viagem.
simplesmente não me incomoda que não saiba para onde vou, porque o que me faz andar para a frente é o que pretendo ser e fazer. a consciência de mim nesse percurso, só faz sentido porque é colorida pelas acções e pelos pensamentos em corropio.

mesmo quando o caminho que percorremos parece ser tão linear e bem definido, obstáculos não faltarão. não quero pensar que os mesmos me dificultarão a vida, pelo contrário, um obstáculo deve ser sempre encarado com uma dose equilibrada de humor e ironia.
claro que é sempre difícil superar obstáculos em forma de pessoas, mas o truque é colocá-las no seu lugar: um obstáculo é sempre um obstáculo, não passará disso, de uma inconveniência temporária.

a ideia é visualizar (e pode ser num diário, ou com desenhos, ou com sonhos ou mesmo num inspirar profundo) o que se pretende fazer na vida e visualizar-nos a nós próprios conseguindo o que pretendemos. projectar a ideia de futuro. projectar a ideia de conquista, a ideia de satisfação, a ideia de feito, o que quer que seja mais sonoro para cada um.



e claro, não ter medo. não recear ir em frente, não recear ter de voltar atrás, não recear dizer não ou sim, ou mesmo hesitar. não ter medo do perigo porque o perigo é uma constante na vida e sem o perigo, a vida seria tremendamente aborrecida para uma sociedade que já pouco arrisca.

p.s.: mesmo quando escrevo tudo isto e mesmo acreditando em tudo o que escrevi, infelizmente, não consigo deixar de me sentir afectada pela forma como algumas pessoas conseguem infernizar a vida de outras, sem remorso ou, quem sabe, sem consciência.

gosto de ver a vida em grande, cheia de gente genuína.
e há cada vez menos pessoas assim perto de mim.
Blogger Luis Serpa disse...

"Provoca as palavras que há em mim, por favor. Fá-las sair, respirar, viver."

Como a chegada de um comboio a uma estação que desconhecemos, a uma cidade onde nunca estivemos, a um futuro que pouco mais é do que um sonho.

Fá-las sair, as palavras, perdidas numa linha de caminho de ferro, orelhas encostadas aos rails a ver se vem um comboio, ao longe.

Fá-las sair, caminhar, perderem-se. Talvez as encontres, um dia.

1/2/09 22:34  

diz ...

Janeiro 19, 2009

mulher

se te oiço ao longe, imagino
tua boca, o amanhecer dos teus lábios.
encostada aos livros que se deixam
ir na espiral do teu toque,
nem percebes quanto latejam
os meus dedos queimados
já pelo desejo e
quão ébria me sinto
perto dos teus cabelos nínfeos.

Janeiro 11, 2009

há quatro anos que acompanho a evolução da florcaveira e do grupo de músicos únicos.
converso sobretudo com um deles, admiro à distância outros, e tenho sempre a sensação de que, na verdade,já os conheço... de paragens diversas... do quotidiano.
dizem a verdade e de forma desigual, desalinhada e bela.
este ano quero ir a um concerto deles e conversar sobre imagens e sonoridades e ambições.
Blogger Samuel Úria disse...

Be our guest.

13/1/09 20:34  

diz ...

Dezembro 29, 2008





já só penso na viagem à malásia: nas praias convidativas, no azul dos mares, no branco da areia, no verde da floresta, no colorido das pessoas e das comidas estranhas...

Dezembro 01, 2008

do fascínio pelo sangue

a série tem o nome de true blood, e segue as desventuras de sookie stackhouse, protagonista das obras de charlaine harris.


anna paquin no seu melhor.

Novembro 25, 2008

ainda estamos a falar de anime


é a mais recente co-produção da manglobe (samurai champloo, ergo proxy) e da caliente latino, chama-se michiko to hatchin e não lhe falta dinamismo, cor e capacidade de suscitar empatia.

comecemos pela música, paixão de shinichiro watanabe (realizador de cowboy bebop, samurai champloo) já anteriormente testada em mind game: fervilhante, ruidosa, levemente evocativa de 007 e seus genéricos.



o realizador, sayo yamamoto, escreveu os argumentos de death note e samurai champloo (e alguns episódios de ergo proxy e kemonozume), podia ter ido para uma ilha paradisíaca, mas decidiu escrever uma história séria, crua e sensual, na qual acompanhamos ritos de passagem e de crescimento de uma miúda arrancada do seu quotidiano abusador mas também as desventuras de uma mulher livre, linda e sem medo da morte, que enfrenta a sociedade com a mesma brutalidade com que aquela trata as suas crias.



o desenvolvimento dos personagens ficou a cargo de hiroshi shimizu, responsável de animação em flcl - furi kuri, kemonozume, fullmetal alchemist, the girl who leapt through time, ghost in the shell: stand alone complex 2nd gig, my neighbours the yamadas, cat soup, princess mononoke. o que podemos esperar das suas criações? crescimento individual diferenciado por parte de cada personagem, autonomia, sentido de humor.

seiki tamura, que fez parte dos departamentos artísticos de lucky star, metropolis, the girl who leapt through time, princess mononoke, ghost in the shell: solid state society, grave of the fireflies e melancholy of haruhi suzumiya, é aqui director artístico.

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Blogger Tiago Franco disse...

Cara Cassandra:
- já viste o teaser do animé do Miyamoto Musashi?
- já viste quem vai fazer de Spike no Cowboy Bebop? (ele não é suficientemente elegante...)

26/12/08 17:28  

diz ...

Novembro 24, 2008

a mafia está na vanguarda da sociedade e sabe aproveitar todos os instrumentos disponibilizados pela globalização.
a máfia é, neste momento em que potências económicas e países à deriva no planeta enfrentam crises semelhantes, a única organização mundial (com todas as suas ramificações) que apresenta não só lucros fabulosos, como tem em consideração caras novas e suas ideias frescas e investe em novos métodos operacionais que potenciam os negócios já existentes.

misha glenny, mcmafia: a journey through the global criminal world (alfred a. knopf, 2008)

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digo não à vacinação!
não quero leite, obrigada!
açúcares químicos, nem pensar!
transgénicos, passo melhor sem eles!
e não preciso de monosódio glutamato, porque eu ainda tenho papilas gustativas e o meu cérebro gosta de depender da recepção de impulsos que o meu corpo lhe transmite.

o organismo do ser humano é um sofisticado resultado da evolução da espécie humana até aos dias de hoje.
infelizmente, muitos olham-se ao espelho e maltratam-se, abusam de si próprios, odeiam-se e enchem-se de porcarias ao longo de anos a fio, até que um dia, por entre lágrimas, descobrem que podiam ser felizes, se ao menos tivessem seguido uma dieta mais natural.

Outubro 09, 2008

sabiam que jean-marie gustave le clézio foi tão vanguardista na sua primeira novela, le procès verbal, que a mesma foi comparada com la nausée de sartre e com l'étranger de camus?
acabou de ser anunciado como vencedor do prémio nobel da literatura de 2008.
Blogger tagarelante disse...

sabia da segunda parte, ignorava a primeira.

10/11/08 19:00  

diz ...

Outubro 08, 2008

anime outonal



hoje vi o 1º episódio de uma outra série que estreou há dias, to aru majutsu no index, com muitos elementos tsundere, mas também com mistérios, duelos com poderes psíquicos e pelo que vemos no genérico, uma miúda com uma katana, o que é sempre porreiro.
normalmente, não me sentiria atraída por este tipo de contexto, mas a arte está excelente. vi e gostei muito do que vi.



é preciso dizer que o responsável pelo desenho dos personagens, yuichi tanaka, trabalhou na animação em chobits, beck, paradise kiss, kemonozume, howl's moving castle, mind game, ghost in the shell, spirited away e em the cat returns, entre outros. já tetsuya kawaka, director de animação desta nova produção da j.c. staff, também participou em fullmetal alchemist e em ghost hunt.

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Outubro 06, 2008

anime outonal



começou nova época e nesta primeira semana estrearam algumas séries interessantes.
vou falar-vos de toradora!, cujo realizador é tatsuyuki nagai (dirigiu alguns episódios de chobits, honey & clover, mushishi, mai-HiME, mai otome, shigofumi), e cujo designer de personagens é masayoshi tanaka (director de animação em chobits, mushishi e mai-HiME).

a nível da caracterização, está excelente, cada personagem muito rico e muito diferente do seguinte, mas o conjunto forma a base necessária para uma boa anime acerca da vida académica.
decididamente a continuar a ver, porque a energia dos principais personagens é antagónica, o que faz prever grandes aventuras.



tem algo de haruhi suzumiya e kyon: o personagem masculino tem alguns problemas de sociabilização, mas é mais prático e realista que a personagem feminina, aqui algo diminuta e sem curvas mas com um bokken e uma direita potentes. devo avisar que esta história não tem nada de divino, extraterrestre ou simplesmente esquisito.



por enquanto. só saiu o 1º episódio.

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Setembro 28, 2008


assim me despeço do verão


mas posso adiantar que o meu outono será colorido



fim à ditadura do preto!
Blogger Luis Serpa disse...

Viva. Há muito tempo que não passava por aqui.

Um olá de bom ano, se ainda for a tempo.

PS - a vista do verão parece-me mais interessante do que a do outono; suponho que por causa das cores.

8/1/09 16:27  

diz ...

Setembro 18, 2008

comidinha boa!


refogado de seitan com pimentos, espinafres, tomates, cebola, alho, temperado com noz-moscada e açafrão das índias, tudo misturado com arroz basmati.
sumo de romã e açaí.

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Blogger Tiago Franco disse...

Cara Cassandra

Claro que não é só por causa dos bonecos que gosto de vir a este blog.

PS: há um restaurante japonês a menos de 100 metros de minha casa. Achas que vale a pena arriscar 10.90/pessoa? Ainda nunca experimentei, mas do que vejo em fotografias, aquilo costuma ter um aspectozinho...

25/9/08 18:08  
Blogger cassandra disse...

o melhor (caramba, é mesmo bom e fresco!) é o ken-ichi, nas picoas.
há um samurai perto da quinta das conchas, mas nunca lá comi.
e depois há um osaka em telheiras que é nojento: os donos são chineses, o arroz não presta, o peixe não está fresco e o cheiro a fritos é insuportável.

27/9/08 00:09  
Blogger Tiago disse...

Ken-ichi em Picoas - anotado.

O meu caso é mesmo o Samurai na Quinta das Conchas.
Se um dia lá for, digo-te o veredicto (embora não tenha termos de comparação...) e pergunto a nacionalidade dos donos.

Já estou a ver que dominas.

27/9/08 12:43  
Blogger cassandra disse...

depois diz o que achaste do samurai. abraço!

28/9/08 20:14  

diz ...

Setembro 15, 2008



murakami, haruki, what i talk about when i talk about running (vintage, 2008)

vou a meio. é a primeira vez na vida que leio uma espécie de autobiografia.

p.s.: muito mais que uma autobiografia, é mais uma espécie de memória.

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Blogger gianna disse...

Li uma entrevista no Spiegel on-line que me despertou o interesse por esse livro, ajudado por algum mistério que atribuo a Murakami. Imagino que esta seja um autobiografia enviesada, um pouco como 'A moveable feast' são notas autobiográficas de Hemingway. Espero vir a gostar deste de Murakami como gosto do de Hemingway. Fico curiosa para saber se gostou, quando acabar.

16/9/08 20:37  

diz ...

Setembro 13, 2008

microtrends
mark zinney & e. kinney zalesne

são as tendências mais pequenas, resultantes de conjunturas por vezes bastante expressivas em termos sociais, que conduzem a grandes mudanças.
mas é claro, como refere mark penn, o futuro nunca é o que se prevê.

1. amor, sexo e relacionamentos
- solteiros/sozinhos
- mulheres mais velhas com homens mais novos
- amores de escritório
- casais que vivem a longa-distância entre si
- casais internautas

2. vida profissional
- reformado que trabalha
- gente que trabalha a uma distância extrema de casa
- gente que trabalha em casa
- mulheres de palavra
- amazonas fervorosas

3. raça e religião
- mulheres que partem os vitrais do tecto da igreja
- pro-semitas
- famílias inter-raciais
- hispânicos protestantes
- muçulmanos moderados

4. saúde e bem-estar
- gente que odeia o sol
- gente que dorme mesmo muito pouco
- canhotos à solta
- doutores "faça você mesmo"
- duros de ouvido

5. vida familiar
- velhos recém-pais
- pais de animais de estimação
- pais que mimam
- gays que tardam em se assumir
- filhos carinhosos

6. política
- elites impressionáveis

"how many talk show guests make less than $100,000 a year? How many reporters talk to many people making less than $100,000 a year? The elite information circle is dominated by people who live in the world of the top 10 percent, and while in the past that helped drive discussion to more substantive levels, today it just does the opposite. Today, the elites are more fascinated with gossip, and they are driving the debate away from substantive and toward the superficial." (p. 134)

- mudança de voto, a rainha da festa
- imigrantes ilegais mas militantes
- cristãos zionistas
- recém-libertados ex-condenados

7. adolescentes
- os levemente perturbados
- jovens que tricotam [também me custa a acreditar]
- ídolos adolescentes negros
- magnatas adolescentes
- aspirantes a sniper

8. comida, bebidas e dieta
- crianças vegan

"Aside from the salads, the industry [of food] appears stuck in the meat and potatoes syndrome, believing that vegetables are something that kids will eat only under extreme duress. They are missing the trend - a lot of kids now genuinely like vegetable-based foods. the meat industry is so concerned about what is happening that, in 2003, it launched a counteroffensive. Targeting those teenage girls who have been driving the trend, the National Beef Council launched a carefully tailored pro-meat education campaign, with the basic underlying message: «Real girls eat Beef». If the Veggie Child trend is sustained through adulthood, the industry's future could be at risk. It could mean a healthier America, too." (p. 179)

- peso desproporcional
- passar fome para viver mais
- viciados em cafeína

9. estilo de vida
- gente que se concentra bem mais que os outros
- pais negligenciados
- falam apenas a língua materna
- unissexuais

10. dinheiro e estatuto
- compradores de segunda casa
- mary poppins modernas
- milionários tímidos
- burgueses e falidos
- gente que não lucra nada com o que faz

11. moda e aparência
- tatuagem com estilo
- sujo debaixo do tapete
- viciados em cirurgias
- as baixinhas poderosas

12. tecnologia
- geeks sociais
- novos luditas [gente que não acha piada nenhuma à inovação]
- mulheres fatais com tecnologia
- mães de futuros futebolistas que compram carros

13. lazer e entertenimento
- mães arqueiras [colectivo vs. individual, convencional vs. alternativo]
- homens que amam pornografia
- adultos viciados em video-games
- músicos neo-clássicos

14. educação
- criança inteligente fica para trás
- educados em casa
- os que desistem da faculdade
- viciados em números

15. tendências internacionais
- mini-igrejas
- compradores de casa no estrangeiro
- casais que vivem juntos em casas separadas
- homens adultos que vivem em casa dos pais
- o filho único europeu
- empreendedor vietnamita
- os franceses e o vinto tinto de luxo
- os picassos chineses
- os indecisos russos
- a escalada das mulheres indianas
- terroristas educados


penn, mark j. & zalesne, e. kinney, microtrends: surprising tales of the way we live today (penguin, 2008)


nota bene 1: não fiz uma tradução literal, optei por uma mais livre, dos capítulos desta obra, pelo que de modo nenhum deverão as expressões empregues ser encaradas como ofensivos, críticas ou perversas e sim como bem-humoradas diante do rol de micro-tendências agora detectáveis a olho nu pelo cidadão comum.

nota bene 2: à excepção do último ponto, o contexto em que o livro foi escrito - e o mercado em que estas tendências foram detectadas e analisadas - é o da economia norte-americana e suas condicionantes políticas e sociais, ainda que sejam indicados exemplos do que sucede, em termos de comparação, no restante planeta.

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num mundo em que a conformidade é um pré-requisito social, deixem-me dizer que a rebeldia é legítima. tem de o ser.
caso não a legitimemos, seremos todos iguais, reagiremos da mesma forma, e essa forma será a ideal, será sempre prevista pelos parâmetros de organização social actuais.
eu quero gritar. numa nota aguda e irritante para quem estiver por perto.

Agosto 27, 2008



sinto os cabelos incendiarem-se
de revolta, à luz filtrada do cansaço.
a pele é agora rosa, e o rosa
do que visto é pele agora, nua
com os cabelos soltos a arder,
os dedos a chamar pelo sono,
perco-me nas labaredas
que eram antes cabelos singelos,
antes de adormecerem.
Blogger gianna disse...

imagino os cabelos incendiados de revolta em tons de ametista e safira, se incendiadas

mas talvez elas tragam reflexos róseos, talvez

30/8/08 16:30  

diz ...

Julho 27, 2008

o meu almoço



quinoa, cebola, tomate chucha, courgette, cogumelos, mangericão e tofu fumado com ervas aromáticas, tudo comprado na biocoop, tudo biológico. chá kukicha bem gelado.
vale a pena comer assim.

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