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setembro 27, 2013

esqueçam o que diz na contracapa, esqueçam o press release da editora: este livro é cruel, é terrível, revirado, ele próprio desumano e o objectivo e desumanizar-nos a nós, leitores.

este livro distancia-nos da normalidade, do aceitável, distancia-nos uns dos outros, elimina - lenta mas inexoravelmente - a nossa sensibilidade e a capacidade fundamental de sentir empatia.

a ler uma frase, chorei por entre um sorriso enquanto o meu estômago se revoltava contra o que o meu cérebro logicamente interpretou.

eu pensava que já nenhum livro me chocaria.
enganei-me redondamente.

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junho 22, 2013

os dedos percorrem a espinha do livro com a lentidão de quem se sabe aprendiz. inspira fundo, inspira fundo. apreende este cheiro, aprende-o também, partículas de pó divisíveis em tristezas e canduras da vida. devagar, os dedos a arrastarem-se como devotos, deixas-te levar pelo couro que não brilha e cujo sabor queres conhecer.
um livro cai da estante junto da janela, da segunda prateleira a contar do topo. estatela-se no chão, prostrado diante da tua fome de conhecimento, queres tu acreditar. mas acredita-me, a tua fome - que não é de conhecimento, sabe-lo bem - não engana nem um livro, engana-te a ti.
a arrogância é própria dos que pretendem conhecer.
o conhecimento pode ser tremendo e libertador. ou ambos.
se te aborreces, desiste. ou não desistas, se o teu carácter não o permite.

s.

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março 28, 2012

É verdade que trabalho numa grande loja onde há um espaço bem grande onde os livros se acotovelam uns aos outros na tentativa inglória de mais depressa seduzirem o incauto cliente do que o livro vizinho. E o stress é muito, os clientes são muitos mas nunca demasiados, as tarefas são muitas: decarregar paletes, atender, distribuir caixas por cada secção, atender, arrumar os excessos, voltar a atender, devolver livros parados há sabe-lá-o-diabo, destacar o que há para destacar e até aquilo que não devia ter saído de uma gaveta.

Sim, é verdade que há pessoas que trabalham em livrarias um pouco por todo o país - ou em sítios onde se vendem livros, que agora já os há em qualquer bomba - que arrumam livros como quem arruma croissants, que lê livros como quem lê marias e lux, porque a realidade, para estas pessoas, é bem mais necessária, impõe-se, acarreta peso e responsabilidade, é socialmente correcta. para estas pessoas, ler nunca equivale a viajar, nunca pode significar uma aprendizagem, nunca será o mesmo que sonhar. ler ficção - seja ela literatura ou bd, escrita na vertical ou na horizontal e em technicolor - pode constituir um escape, é verdade, mas é muito mais que isso: é quase sempre uma possibilidade de auto-descoberta ou até de epifania.

Às vezes penso que será disso que as pessoas que não lêem ou preferem não ler têm medo: de perceber quem são e o seu potencial e de ver a realidade como ela é, mutável pela nossa capacidade de agir com base no que ambicionamos e sonhamos e queremos fazer.
Ora, era eu cachopa e sonhava muito! Lia muito, conversava com os gatos e as galinhas e as personagens dos livros que tanto lia, eram os meus melhores amigos. Quando um professor me dizia para ler um livro da colecção Viagens no Tempo, eu lia vários. Quando uma professora me encorajou, aos 6 anos, a aprender inglês sózinha (na altura, só se tinha aulas de inglês a partir do 5º ano no ensino público), comprei a Essential Grammar in Use de Raymond Murphy da Cambridge e depois das férias do verão, já tinha feito todos os exercícios. A minha determinação e optimismo provinham do encorajamento que a leitura me dava, para além do prazer simples da história a desenhar-se diante dos meus dedos: se ao ler, eu aprendia coisas que me tornavam mais conhecedora do mundo e se revelavam úteis no meu dia-a-dia num bairro social quase ghetto dos anos 80, onde alcoolismo, drogas, abusos e violência eram diários, a solução era continuar a ler, ler muito e ainda mais.

Se, por um lado, cresci na cidade, foi no campo que aprendi mais sobre a delicadeza das relações humanas e a fragilidade do coração.
Lembro-me de um estio deslumbrante, tinha eu uns 8 anos, estava em casa dos meus avós a passar as férias grandes e tanto insisti com o meu avô que ele, finalmente, acedeu a dar-me um dos livros da sua biblioteca para ler. Empurrei lentamente a porta envidraçada, a porta do lado esquerdo a fingir que escondia uma teia de aranha, a luz a entrar pela janela a oeste e a esbarrar nela.
Tirei um livro ao acaso: Eurico, o presbítero. Alexandre Herculano era difícil com aquela idade. A minha mãe ensinara-me a ler aos 4 anos e era uma habilidade de cariz circense, quase, porque não connhecia ninguém que não convidasse moscas com seu espanto ao observar-me a ler em voz alta (algo que ainda hoje me dá gozo), mas Herculano era mesmo difícil. Infelizmente, o meu avô era muito perspicaz e se notasse em mim a mínima hesitação ou o esfriar do meu entusiasmo, certamente teria sido banida da biblioteca por algum tempo. A minha mãe chamava-me teimosa com frequência, e não larguei aquele livro o verão inteiro.

Com certeza que os livros e as livrarias têm futuro: então, os leitores deixaram de existir? Claro que não. A internet é um bicho? Não é nada, eu estou sempre a pesquisar milhares de livros aqui e depois compro-os onde? Na Fnac, no senhor André da Livraria Lácio (aprendi tanto com esse grande livreiro, desde 1994 a formar a livreira Sandra), na Antiga do Carmo onde ia com o meu avô quando ele vinha a Lisboa. Nada substitui essa experiência, quanto a mim, onde se inclui a conversa lúcida com o livreiro ou, quem sabe, com outros leitores.

É essa experiência que eu tento reproduzir há 12 anos, desde que trabalho com público e com livros, e é esse caminho que quero continuar a trilhar, bem-disposta e apaixonada. E um dia, quando tiver a minha livraria - onde o tempo não vai correr como corre numa fnac - também eu vou formar livreiros. Por enquanto, vou dar o meu melhor e estar consciente de que ainda não chega.

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Blogger Tiago Franco disse...

Olá .)

Boas livrarias e bons livros seriam importantes para que a leitura fosse um prazer possível ao longo do vida, pelo menos, na medida em que ajudariam os leitores a evitar todo o lixo que para aí anda.
É que chega a uma altura em que certos estilos de vida são mesmo adversos aos hábitos de leitura, e a experiência de ler como a descreves só será possível lendo um, dois ou três livros por ano, que sejam de tal forma bons que conquistem um lugar nas rotinas que não podem esperar e na "memória de fácil acesso" do leitor. Não é fácil.

3/4/12 20:23  
Blogger Ricardo António Alves disse...

Quando tiveres a tua livraria, quererei ser teu cliente.

12/4/12 11:07  
Blogger cassandra disse...

obrigada aos dois pelos comentários e por ainda visitarem este blog (andamos os dois à deriva, parece-me às vezes) e boas leituras!

12/4/12 14:55  
Blogger Martin disse...

"Boas livrarias e bons livros seriam importantes para que a leitura fosse um prazer possível ao longo do vida, pelo menos, na medida em que ajudariam os leitores a evitar todo o lixo que para aí anda". Eu realmente gosto deste comentário, eu acho que é uma grande verdade. Eu sou um leitor amador, eu realmente gosto de livros orientais, lê-los hideki.

3/10/12 22:57  

diz ...

março 16, 2012



já acabei de ler o prémio leya 2011: o teu rosto será o último de joão ricardo pedro (pela d. quixote). é bom.

é um daqueles romances que que nos leva à infância, que nos faz rir e chorar no mesmo parágrafo, que nos perdidos entre suspiros nostálgicos e momentos de empatia. está lá tudo o que compõe a nossa memória colectiva e tudo o que constitui o nosso património cultural, até um certo queirozianismo.

começa assim:
"Uma coisa parecia certa: no dia vinte e cinco de abril de mil novecentos e setenta e quatro, faltaria ainda um bom bocado para as sete da manhã, Celestino apertou a cartucheira à cintura, enfiou a Browning a tiracolo, verificou o tabaco e as mortalhas, esqueceu-se do relógio pendurado num prego que também segurava um calendário e saiu porta fora. O céu começava a clarear. Ou talvez nem sequer tivesse começado a clarear. Por cima das sopas de café com leite, Celestino emborcava, sem esforço, dois tragos de bagaço. O primeiro, para a azia. O segundo, para os pensamentos cismáticos, que ele, como, aliás, todos os traços fisionómicos sugeriam, era homem dado a prolongadas melancolias."

descrições pormenorizadas, o ritmo - que vai sempre variando consoante a personagem em que se concentra o capítulo -, o lirismo conseguido através de estruturas sintácticas e pontuações apuradíssimas, o sentido de humor infalível e o pormenor da data na primeira frase da obra aos momentos de entretenimento estilístico que criam o ambiente e erguem a narrativa a um patamar encantador, como este, entre tantos outros:

"
Entrou no café. Tomou uma bica. Pediu uma caixa de chicletes verde. Saiu do café. Foi à praça. Comprou maçãs: um quilo e cem gramas. Peras: um quilo e setecentos gramas. Bananas: novecentos e cinquenta gramas. Morangos: um quilo. Cerejas: um quilo e quinhentos gramas. Carapaus: doze. Pescadas: duas. Robalos: quatro. Bacalhau: um. Abóbora: uma talhada. Nabos: dois. Espinafres: um molho. Cenouras: dez. Batatas: quatro quilos. Agriões: um molho. Brócolos: quatrocentos gramas. Flores: gerberas. Pão: dois de Mafra e doze carcaças. Tremoços: meio litro. Saiu da praça. Voltou a pôr os óculos escuros. Pousou cinco vezes os sacos no chão para descansar os braços. Entrou no prédio. Chamou o elevador. A luz do botão não acendeu. Subiu as escadas: três andares. Pousou duas vezes os sacos no chão: no primeiro andar e entre o segundo e o terceiro. Pousou novamente os sacos no chão para abrir a porta de casa. Largou os sacos na cozinha. Sentou-se. Esticou os braços. Esticou os dedos. Bebeu um copo de água. Levantou-se para ir à casa de banho. Mijou. Lavou as mãos. Voltou para a cozinha."

já disse que é bom, não disse?
mas a verdade é que é excelente.

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Blogger Martin disse...

Eu gosto de ler livros no meu tempo livre. Ontem foi jantar em hideki e meu irmão recomendado este livro. Vou comprá-lo e depois comentar se gostei ou não.

29/10/12 00:01  

diz ...

março 06, 2012

hoje, na livraria, aconteceu-me uma de pasmar: uma amiga de uma autora indignou-se ao não encontrar o livro destacadíssimo nas novidades, mas não o disse à minha frente e sim à sua acompanhante. "se só me mandaram 5 exemplares, que destaque posso eu dar...", foi o que pensei para os meus botões, enquanto me agachava para colocar ordem nos livros da secção de teatro, mesmo atrás dessa cliente.

e, subitamente, ouço-a pedir à amiga que lhe segurasse a mala e os livros que ela ia fazer uma "coisa". curiosa, ergui-me e senti o sangue a ferver-me na ponta dos dedos enquanto, boquiaberta, assistia à transladação dos livros de Jorge Amado (na letra A, segundo a ordem alfabética pela qual estão arrumados os livros) para uma prateleira rente ao chão, duas estantes mais à frente, na letra R, onde estavam os exemplares do livro da autora amiga desta criatura, os mesmos que deslocou até ao lugar deixado vago pelas obras do autor baiano, deixando a capa virada para a frente; a intenção clara de seduzir o cliente com a capa a sair gorada pela ausência de artifícios da dita capa - na contracapa, muito pouco é dito.

aguardei uns segundos, enquanto ambas admiravam o resultado da tarefa executada com primor e os seus sorrisos se espelhavam, pedi licença e arrumei um livro solto do Lobo Antunes (é habitual). e saiu-me:

"olhem para isto... caramba, há pessoas capazes de tudo! agora tiraram-me o Jorge Amado para fazer isto... tsk tsk... deixa-me cá encontrá-los... Ora, R, R... Pois, só podiam estar aqui... que lata!"

olho para elas: a mais jovem encolhia-se, o corpo a rejeitar qualquer associação com a tarefa gloriosa que, minutos antes, a fazia sorrir; a outra senhora, corada, ajeitava os cabelos num tique com anos.

"por acaso, não viram quem fez isto, não? é que é um disparate tremendo! imaginem se viesse um cliente à procura de Jorge Amado e encontrasse esta autora no lugar dele? acharia que, aqui, só trabalham ignorantes e sem respeito pelos livros."

acabei de arrumar os livros, retirei os livros da dita autora da prateleira e dei-lhes o golpe final, dizendo que estava sempre disponível para escutar qualquer pedido que me fizessem, desde que feito com boa educação, porque naquela secção de literatura mando eu. e se a verdade era que só tinha recebido 5 exemplares daquele livro, também era verdade que eu podia dar-lhe uma oportunidade de se exibir aos clientes em lugar mais ilustre.

foi o que fiz: na mesa da literatura portuguesa, substituí o livro Na senda da memória da Sónia Cravo pelo outro - mas não o retirei da mesa, na parte de baixo, numa mancha chamativa (tem estado lá desde que o recebi na loja e tivémos lá o lançamento e tudo: gosto e acredito nele por isso até me dizerem "tens de devolver tudo!" vai lá manter-se).

setembro 15, 2011



ahmed rashid, descent into chaos: pakistan, afghanistan and the threat to global security (penguin books, 2009)

jornalista experiente em cenários de guerra e de crises políticas mundiais, ahmed rashid teve a oportunidade de conversar e privar com alguns dos protagonistas das disputas geopolíticas na ásia central, desde a administração clinton até à actualidade.
rashid denuncia as ligações profundas entre os estados unidos e extremistas islâmicos naquela região, em que, para obter a cabeça de bin laden, os "profetas" da democratização fecham os olhos à violência interna, à pobreza, à corrupção e ao tráfico de droga, e em simultâneo, assumem a paternidade da metodologia que impõe mudança de regime e recusam o papel de reconstrução dos países que invadem (e subsequentemente destroem), numa atitude pouco nobre e verdadeiramente mais próxima de regimes ditadoriais do que os ocidentais gostam de admitir.


paul berman, the flight of the intellectuals: the controversy over islamism and the press
(rev.ed., melville house publishing, 2011)

uma leitura terrivelmente boa. berman expõe influências e poderes entre o radicalismo islamista e o fascismo (e nazismo) que se estenderam no tempo até aos nossos dias de forma quase imperceptível. apresenta factos e ligações com clareza e frontalidade, sobretudo acerca do islamismo e do Islão, levando-nos a questionar o que realmente sabemos nós - filtrado pelos media globalizados/globalizadores - sobre aquela cultura e como chegámos ao ponto de, nalguns países da europa, o medo do terror nos tolher as acções e, sobretudo, a capacidade de denúncia de violação de direitos fundamentais como a liberdade de expressão.
fala ainda do advento da mudança de paradigma intelectual na Europa, em que defender ditaduras que apoiam causas violentas e terroristas começa a ser a norma.
uma norma que berman questiona e nos deixa a nós encarregues de criticar, através do raciocínio lógico e iluminado: por que razão precisamos de reviver momentos obscurantistas da nossa história e como ainda podemos evitar esse caminho?

sim, é uma leitura terrível e fantasmagórica.
actualíssima e fundamental.

julho 23, 2011



comecei a ler no início das férias, estou mesmo a chegar ao fim. Rachman fala da crise financeira, de desequilíbrios geopolíticos, de mudanças socio-económicas com consequências directas no comportamento político de países que se vêem entre a china e os estados unidos e cuja escolha tem vindo a ser a primeira. de forma clara, explica o que esteve por detrás da(s) crise(s) e apresenta a sua interpretação quase futurológica das revoluções políticas que decorrem e das que se vislumbram.


"The European Union believes that its ideas of international cooperation and the global rule of law represent the best model for the twenty-first century. For the moment, however, the rest of the world does not seem to agree. In fact, with China now commanding unprecedented respect and influence on the international stage, the world's liberal democracies are now themselves giving ground to a new axis of authoritarianism."

gideon rachman, zero-sum world (atlantic books, 2011)
Blogger cassandra disse...

afinal o final foi muito desastroso: acaba por recomendar os e.u.a. como a última esperança para a prosperidade mundial... que disparate... e tão pouco consentâneo com a exposição feita ao longo do livro - nunca imparcial mas relativamente isenta.

24/7/11 17:03  
Blogger Geppetto disse...

tens um sinalzinho na coxa direita (por baixo do C de rachman, na foto)?

a súmula que fazes é interessante, porém o comentário borrou a pintura...

beijos 8no sinalzinho9

geppetto

26/7/11 11:51  
Blogger cassandra disse...

também fiquei desiludida. o sinalzinho existe, está bem de saúde, mas o acesso através de beijinhos é limitado.

3/8/11 09:29  

diz ...

junho 27, 2011



miki e take numa tarde de verão

junho 24, 2011

nas férias que vêm aí, vou ao encontro da miúda que fui.
a capitalização do sorriso denuncia o estado da humanidade: ignóbil.

junho 13, 2011

pensamento do dia

a escopofilia apanhou-me.

" Para o homus opticus da modernidade, a percepção visual torna-se pois fundadora do sujeito antropológico, de tal modo que é apenas vendo e sendo visto que o ser humano moderno se forma."

GIL, Isabel Capeloa, “O imperativo óptico. Sobre Robert Musil” in Literacia Visual. Estudos sobre a inquietude das imagens, Lisboa, Edições 70, 2011, p. 97.

maio 18, 2011

"Namora uma rapariga que lê. Namora uma rapariga que gaste o dinheiro dela em livros, em vez de roupas. Ela tem problemas de arrumação porque tem demasiados livros. Namora uma rapariga que tenha uma lista de livros que quer ler, que tenha um cartão da biblioteca desde os doze anos.

Encontra uma rapariga que lê. Vais saber que é ela, porque anda sempre com um livro por ler dentro da mala. É aquela que percorre amorosamente as estantes da livraria, aquela que dá um grito imperceptível ao encontrar o livro que queria. Vês aquela miúda com ar estranho, cheirando as páginas de um livro velho, numa loja de livros em segunda mão? É a leitora. Nunca resistem a cheirar as páginas, especialmente quando ficam amarelas.

Ela é a rapariga que lê enquanto espera no café ao fundo da rua. Se espreitares a chávena, vês que a espuma do leite ainda paira por cima, porque ela já está absorta. Perdida num mundo feito pelo autor. Senta-te. Ela pode ver-te de relance, porque a maior parte das raparigas que lêem não gostam de ser interrompidas. Pergunta-lhe se está a gostar do livro.

Oferece-lhe outra chávena de café com leite.

Diz-lhe o que realmente pensas do Murakami. Descobre se ela foi além do primeiro capítulo da Irmandade. Entende que, se ela disser ter percebido o Ulisses de James Joyce, é só para soar inteligente. Pergunta-lhe se gosta da Alice ou se gostaria de ser a Alice.

É fácil namorar com uma rapariga que lê. Oferece-lhe livros no dia de anos, no Natal e em datas de aniversários. Oferece-lhe palavras como presente, em poemas, em canções. Oferece-lhe Neruda, Pound, Sexton, cummings. Deixa-a saber que tu percebes que as palavras são amor. Percebe que ela sabe a diferença entre os livros e a realidade – mas, caramba, ela vai tentar fazer com que a vida se pareça um pouco com o seu livro favorito. Se ela conseguir, a culpa não será tua.

Ela tem de arriscar, de alguma maneira.

Mente-lhe. Se ela compreender a sintaxe, vai perceber a tua necessidade de mentir. Atrás das palavras existem outras coisas: motivação, valor, nuance, diálogo. Nunca será o fim do mundo.

Desilude-a. Porque uma rapariga que lê compreende que falhar conduz sempre ao clímax. Porque essas raparigas sabem que todas as coisas chegam ao fim. Que podes sempre escrever uma sequela. Que podes começar outra vez e outra vez e continuar a ser o herói. Que na vida é suposto existir um vilão ou dois.

Porquê assustares-te com tudo o que não és? As raparigas que lêem sabem que as pessoas, tal como as personagens, evoluem. Excepto na saga Crepúsculo.

Se encontrares uma rapariga que leia, mantém-na perto de ti. Quando a vires acordada às duas da manhã, a chorar e a apertar um livro contra o peito, faz-lhe uma chávena de chá e abraça-a. Podes perdê-la por um par de horas, mas ela volta para ti. Falará como se as personagens do livro fossem reais, porque são mesmo, durante algum tempo.

Vais declarar-te num balão de ar quente. Ou durante um concerto de rock. Ou, casualmente, na próxima vez que ela estiver doente. Pelo Skype.

Vais sorrir tanto que te perguntarás por que é que o teu coração ainda não explodiu e espalhou sangue por todo o peito. Juntos, vão escrever a história das vossas vidas, terão crianças com nomes estranhos e gostos ainda mais estranhos. Ela vai apresentar os vossos filhos ao Gato do Chapéu e a Aslam, talvez no mesmo dia. Vão atravessar juntos os invernos da vossa velhice e ela recitará Keats, num sussurro, enquanto tu sacodes a neve das tuas botas.

Namora uma rapariga que lê, porque tu mereces. Mereces uma rapariga que te pode dar a vida mais colorida que consegues imaginar. Se só lhe podes oferecer monotonia, horas requentadas e propostas mal cozinhadas, estás melhor sozinho. Mas se queres o mundo e os mundos que estão para além do mundo, então, namora uma rapariga que lê.

Ou, melhor ainda, namora uma rapariga que escreve."

texto de Rosemary Urquico, tradução de Carla Maia de Almeida

fevereiro 11, 2011

As pessoas, salvo se forem extremamente ambiciosas, não precisam de uma quantia obscena dinheiro para serem felizes. Na verdade, o que a maioria dos funcionários descontentes por esse país fora precisa é de reconhecimento: um pequeno aumento salarial regular, boas condições de trabalho, segurança no trabalho, uma gestão do tempo entre família e trabalho sem conflitos, promoções regulares, palavras de apreço pelo trabalho, palavras de encorajamento pelas ideias, pelas iniciativas, pelos falhanços gloriosos, que também os há.

janeiro 26, 2011

lema pessoal



deixar a vida correr ao sabor das lágrimas, umas levadas pelo vento, outras escondidas pelo riso.

janeiro 10, 2011

da procrastinação



assim, não vou a lado nenhum.
ultimamente, não me reconheço: vejo-me ir de casa para o trabalho, do trabalho para casa, como se eu fosse uma concha de mim mesma, e se no trabalho me sinto viva e desafiada, em casa sinto-me enjaulada e a definhar.
estarei a desapaixonar-me? ou será algo que já começou há mais tempo e só agora me vou dando conta?

janeiro 09, 2011

da substantivação

faço minhas as palavras de boaventura de sousa santos: é preciso sair deste actual lodo em que a adjectivação se tornou o foco da nossa atenção, a arma com que disparamos, a palavra com que seduzimos.
é preciso voltar a dar significado ao que dizemos, verbalizar os nossos ideais e concretizá-los.
temos de reformular os paradigmas, inconformáveis com a economia e a sociedade tal como hoje as vemos, e encontrar novas estruturas civis. como ele diz: temos de ser "rebeldes competentes".
Blogger r.e. disse...

saudades de um lugar. volto. J

9/1/11 22:23  

diz ...

agosto 15, 2010

"... é preciso suportar a economia... todos temos de nos esforçar e ajudar."

ora, as pessoas existem para suportar a economia ou a economia deve suportar a sociedade e ser regulada pela mesma?
é que se eu existo para sustentar uma qualquer filosofia económica, prefiro ser animal.
Blogger dafmds disse...

Cá a mim, ninguém me perguntou o que prefiro, nasci animal e escravo da economia as well...

21/8/10 00:06  

diz ...

junho 10, 2010

proposta para pack temático #1:



e umas lâminas?


*ideia original do blog professor josé cid
Blogger gonca disse...

Gosto tanto da tua ironia subtil.

Um beijo

20/6/10 21:45  

diz ...

maio 25, 2010

vou ser muito sincera: não gosto de viver com o meu namorado em minha casa.
sou egoísta, quero demasiado ter o meu espaço e não ser perturbada. e gosto de estar sozinha. isto ainda vai acabar mal.
Blogger º disse...

espero bem que o teu namorado seja um info-excluído... já pensaste no trauma que poderia ser ele dar com este texto aqui??

4/6/10 12:07  
Blogger cassandra disse...

ele é o meu melhor amigo :) o engraçado é que ele foi a primeira pessoa a quem contei o que me ia na cabeça. bem antes de postar.

4/6/10 23:53  
Blogger Rael disse...

Então se é assim, não deve acabar mal, pois antes que isso aconteça muito provavelmente vocês vão estar a falar um com o outro sobre o assunto como melhores amigos que são...

14/7/10 15:25  
Blogger cassandra disse...

hehe, foi mesmo: conversámos, refilámos um bocadinho, mas chegámos a um compromisso. crescer é isso, não é?

14/7/10 15:56  

diz ...

abril 15, 2010

felicitas superba est

merecidas férias. e foi minha opção encurtá-las.
sei lá, coisas de mulher urbana e complicada q.b., mas com um desejo imenso de o não ser.
a viagem para lisboa foi angustiante para mim, como se caminhasse em direcção a um destino escuro e denso: o que sei é que o ar em lisboa não é nada bom. e não me consigo mexer. e não percebo como tanta gente consegue mexer-se e viver e respirar aqui. se calhar, só fingem que vivem, como disse o meu melhor amigo. respiram o que podem, como podem, e pensam que têm qualquer coisa semelhante a uma vida, mas onde está a satisfação? satisfeitos com o trabalho? com a família? com os colegas? com o governo? com o tempo? serão os habitantes de uma cidade como lisboa sinceros na sua felicidade aparente?

lá no campo, no interior de portugal, não há tensão na ponta dos dedos, os músculos relaxam, e o importante é acordar cedo para aproveitar o sol. e a chuva, quando cai, é só chuva, não chega a ser uma maldição. e o governo está muito muito longe. e as notícias não importam, são só sobre gente que não tem nada a ver com a realidade, nem sequer são notícias a sério.
lá no campo, o que se ouve é passaros e ribeiras, e amores-perfeitos, papoilas, margaridas brincam com o nosso olhar. o céu estrelado da noite emociona-nos, como se voltássemos à infância. o ar fresco carrega o sol e o cheiro de dezenas de árvores e arbustos.
e sentimo-nos pequenos, despertos e simples. sorrimos sem precisar de porquê.

parabéns a quem já percebeu que é preciso olhar para nova opções de vida e que tomou a decisão de lutar por elas. é preciso coragem e determinação e eu pretendo fazer o mesmo.

parabéns a mim, faz agora 32 anos que nascia num corredor na alfredo da costa.

fevereiro 27, 2010

memento mori i

o barulho da vizinha do lado, entretida nas limpezas da primavera, por muito urbano que fosse, parecia-lhe uma sinfonia afectuosa: sentia o cheiro a lavado dos lençóis a serem esticados em cima do colchão, e ouvia o raspar da vassoura no soalho de pinho desgastado, e conseguia mesmo vê-la, de mãos nas ancas gordinhas, satisfeita com o seu trabalho, sacudindo-se da sujidade que se lhe colara em duas horas de trabalho árduo, para depois soar aquele vozeirão na iminência do traquinas do filho lhe estragar o feito. as notas sucediam-se harmoniosamente.
ele sorriu para si próprio, sentindo-se muito quente e mole debaixo do cobertor com que se cobrira no sofá. tinha grandes expectativas para o dia que começara há pouco. um amigo seu da faculdade ia casar-se e incrivelmente recordava-se dele e sobretudo de uma maldita fotografia que o registara em trajes femininos vulgares. praticamente ausentes, os ditos. mal recebera o convite, começou a imaginar o cenário do casamento, a igreja, os jardins, que tipo de recepção fariam, seria buffet ou seriam servidos vários pratos, haveria pratos vegetarianos - se havia algo que o aborrecia terrivelmente era ir a algum lado e não encontrar uma refeição digna de um ser humano evoluído -, as sobremesas seriam demasiado açucaradas, haveria demasiada criançada a intrometer-se nas suas tentativas de sociabilização...
é que ele, jorge era o seu nome, vivia disso, do seu charme e da sua imaginação. certamente seria submetido às perguntas habituais: onde vive, "ah! mas que bairro agradável!", comentariam quando respondesse telheiras; onde e o que estudou, "que bom saber que há miúdos a ter um professor como você, que simpatia", e que paciência monumental teria de cultivar para aguentar uma tarde disto.
ergueu-se com pulo, bem-disposto, e atirando com os boxers para um canto, dirigiu-se para a casa-de-banho, assobiando ao som de tony carreira, artista predilecto da sua vizinha, que agora
estendia a roupa lavadinha na varanda, enquanto cantava a pleno pulmão. e se ela tinha talento!

fevereiro 26, 2010

vamos falar de anime: as estrelas do inverno

na verdade, o conjunto das séries interessantes deste inverno resulta em pouco mais que uma mão cheia de animes, entre as quais durara!, nodame cantabile: finale, ookami kakushi, katanagatari, sora no woto, to aru kagaku no railgun e kimi ni todoke. à medida que estas forem chegando ao fim, vou falando delas.

comecemos pelo excelente to aru kagaku no railgun, un spin-off de to aru majutsu no index (2008/2009),que posso resumir assim: são miúdas com poderes e outras que ambicionam tê-los patrulham uma cidade onde pululam desafios em forma de gente com a mania da grandeza. mas se inicialmente, via a série pelo desfilar de diferentes poderes, agora percebo que é afinal uma anime de elogio à amizade, que é comprovada cada vez que alguém ameaça uma das miúdas ou mesmo uma ameaça mais geral: o resultado é sempre uma acção conjunta, não importa os poderes ou a ausência deles, que reforça os laços que as unem e a empatia com os fãs.




realizador: nagai tatsuyuki (episode director em chobits, honey & clover, mushi-shi, mai-HiME, shigofumi, toradora!)

storyboarders (entre outros):
- tachibana hideki (bleach, ghost in the shell, read or die)
- yamauchi shigeyasu (blood+, cowboy bebop, casshern sins)
- nakatsu tamaki (fullmetal alchemist, petopeto-san, ouran high school host club)

designer de personagens: tanaka yuuichi (code geass, haibane renmei, kemonozume, mind game, paradise kiss, spirited away)

na primeira parte (até ao ep. 14), o génerico e o fecho musicais são da autoria de fripSide, ambas as músicas electrificantes, bem de acordo com a figura central da história.

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vamos voltar a falar de anime: temporada da primavera 2010

se, por um lado, a produção tem vindo a ser reduzida, por razões que se prendem com a conjuntura económica japonesa (e também com uma adesão, por vezes absurda, a "modas" ocidentais que condicionam a realização de anime de qualidade), há que salientar que se torna mais fácil distinguir o que pode ser digno de guardar e passar a amigos e aquilo que será obliterado em minutos.

em abril, começam hakuoki - shinsengumi kitan (aventura de samurais, anime de cariz mais histórico), senkou no night raid (espionagem), black rock shooter (fantasia), working! (comédia), yojouhan shinwa taikei (slice of life).

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dezembro 20, 2009

mário crespo e o melhor artigo de opinião dos nossos tempos

o palhaço

O palhaço compra empresas de alta tecnologia em Puerto Rico por milhões, vende-as em Marrocos por uma caixa de robalos e fica com o troco. E diz que não fez nada. O palhaço compra acções não cotadas e num ano consegue que rendam 147,5 por cento. E acha bem.

O palhaço escuta as conversas dos outros e diz que está a ser escutado. O palhaço é um mentiroso. O palhaço quer sempre maiorias. Absolutas. O palhaço é absoluto. O palhaço é quem nos faz abster. Ou votar em branco. Ou escrever no boletim de voto que não gostamos de palhaços. O palhaço coloca notícias nos jornais. O palhaço torna-nos descrentes. Um palhaço é igual a outro palhaço. E a outro. E são iguais entre si. O palhaço mete medo. Porque está em todo o lado. E ataca sempre que pode. E ataca sempre que o mandam. Sempre às escondidas. Seja a dar pontapés nas costas de agricultores de milho transgénico seja a desviar as atenções para os ruídos de fundo. Seja a instaurar processos. Seja a arquivar processos. Porque o palhaço é só ruído de fundo. Pagam-lhe para ser isso com fundos públicos. E ele vende-se por isso. Por qualquer preço. O palhaço é cobarde. É um cobarde impiedoso. É sempre desalmado quando espuma ofensas ou quando tapa a cara e ataca agricultores. Depois diz que não fez nada. Ou pede desculpa. O palhaço não tem vergonha. O palhaço está em comissões que tiram conclusões. Depois diz que não concluiu. E esconde-se atrás dos outros vociferando insultos. O palhaço porta-se como um labrego no Parlamento, como um boçal nos conselhos de administração e é grosseiro nas entrevistas. O palhaço está nas escolas a ensinar palhaçadas. E nos tribunais. Também. O palhaço não tem género. Por isso, para ele, o género não conta. Tem o género que o mandam ter. Ou que lhe convém. Por isso pode casar com qualquer género. E fingir que tem género. Ou que não o tem. O palhaço faz mal orçamentos. E depois rectifica-os. E diz que não dá dinheiro para desvarios. E depois dá. Porque o mandaram dar. E o palhaço cumpre. E o palhaço nacionaliza bancos e fica com o dinheiro dos depositantes. Mas deixa depositantes na rua. Sem dinheiro. A fazerem figura de palhaços pobres. O palhaço rouba. Dinheiro público. E quando se vê que roubou, quer que se diga que não roubou. Quer que se finja que não se viu nada.

Depois diz que quem viu o insulta. Porque viu o que não devia ver.

O palhaço é ruído de fundo que há-de acabar como todo o mal. Mas antes ainda vai viabilizar orçamentos e centros comerciais em cima de reservas da natureza, ocupar bancos e construir comboios que ninguém quer. Vai destruir estádios que construiu e que afinal ninguém queria. E vai fazer muito barulho com as suas pandeiretas digitais saracoteando-se em palhaçadas por comissões parlamentares, comarcas, ordens, jornais, gabinetes e presidências, conselhos e igrejas, escolas e asilos, roubando e violando porque acha que o pode fazer. Porque acha que é regimental e normal agredir violar e roubar.

E com isto o palhaço tem vindo a crescer e a ocupar espaço e a perder cada vez mais vergonha. O palhaço é inimputável. Porque não lhe tem acontecido nada desde que conseguiu uma passagem administrativa ou aprendeu o inglês dos técnicos e se tornou político. Este é o país do palhaço. Nós é que estamos a mais. E continuaremos a mais enquanto o deixarmos cá estar. A escolha é simples.

Ou nós, ou o palhaço.

jornal de notícias 14-12-1009

dezembro 17, 2009

a terra acabou de tremer. o cadeirão onde estou sentada abanou de tal forma que pensei que me fosse deitar ao chão.
Blogger Vicious disse...

É preciso haver um tremor de terra para tu actualizares este blog, mulher! (Se bem que eu também não posso falar muito...)

17/12/09 22:29  

diz ...

outubro 12, 2009

almoço fresco



um molho de espinafres
1 kiwi
1 pêra
1 maçã
sumo de 1 laranja
sumo de 1/2 limão
salsa & hortelã

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setembro 04, 2009

almocito



1/5 abóbora
1 pêssego
canela



1 tomate bem maduro
espinafres
2 fatias de abóbora

molho:
grãos de mostarda
hortelã
manjericão
coentros
salsa
1 tomate maduro
sumo de 1/2 limão
1/2 pimento jalapeño



pinhões e sultanas para misturar

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setembro 02, 2009

figos



nem me lembro quantos figos estão aqui mas foram muitos, uns cajus e uma colher de chá de néctar de agave. deixei a secar ao sol e ficou saboroso, mas ainda relativamente húmido. se calhar, mais 24 horas e teria ficado com outra consistência. fica para uma próxima.

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agosto 27, 2009

sobremesa da casa



1 abacate
1 banana
1 pêssego
1/2 colher de chá de canela
100 ml leite de coco

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agosto 22, 2009

o almoço de ontem


salada de espinafre roxo, tomate, pepino, meloa, pinhões, sumo de limão, pitada de sal, dente de alho, fio de azeite.


a sobremesa levou 1/2 manga, 4 amoras, pedaços e raspas de coco, canela e raspa de limão.

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agosto 16, 2009

ler somerset maugham é como chegar a casa e descobrir que afinal a parede da sala não era bem azul e sim verde: quando o li pela primeira vez (14 anos: o fio da navalha, livros do brasil, 1967), o mundo ganhou nova dimensão, e a empatia que senti com as personagens deixou-me francamente deslumbrada. dez anos mais tarde, li of human bondage e as ligações intrincadas entre as figuras que ele imaginou mas não completamente levaram-me a considerar esta obra como o expoente sacrossanto deste autor.
agora estou a ler uma colectânea de contos, far eastern tales: delico-doce é como melhor consigo descrever a escrita de somerset maugham, e como fica aquém da realidade da mesma.

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Blogger gonca disse...

Pois é, "Of human bondage" é o livro que me mostrou que o amor é uma escravidão pura e insensata, e é por isso que é maravilhoso. Sugiro-te que leias "Cakes & Ale", vais adorar a ousadia da personagem principal. Bjo grande.

22/8/09 22:37  

diz ...

julho 29, 2009

a big pharma quer cobaias, e o que a big pharma quer...

final dos anos 70: um surto de uma gripe semelhante levou à vacinação desenfreada e desinformada de milhares de crianças, tendo, centenas delas, sido diagnosticadas posteriormente com danos irreparáveis no sistema nervoso (em muitos casos, levando mesmo à paralisia). a indústria farmacêutica, numa negação da realidade e dos factos, inventa uma doença, a que chama síndrome de guillain-barré, que nada mais é do que síndrome de vacinação tóxica. ainda hoje, os médicos não conseguiram isolar os factores causativos do síndrome de guillain-barré (e não devem querer mexer mais na merda que fizeram), com sintomologia de doença auto-imune.

não vou levar com esta vacina porque:

i. não sou um macaco ou um porquinho-da-índia, tenho juízo suficiente para entender que uma vacina não testada, não regulamentada e para todos os efeitos, "apressada", não pode constituir uma boa medida de prevenção sanitária nunca;
ii. a vacina até poderá aumentar o risco de morte pelo próprio vírus H1N1 porque altera e pode mesmo inibir o sistema imunitário e a sua capacidade de resposta, tal como o director-geral da saúde português alertou (no caso, referia-se ao oseltamivir);
iii. mesmo que a vacina corra mesmo muito mal e acabe por matar muita gente, a indústria farmacêutica não será responsabilizada, dado que o governo norte-americano garantiu imunidade total caso a eficácia das vacinas seja posta em causa. qual é, afinal, a obrigação da big pharma para produzir vacinas seguras, quando o pagamento é feito mediante a quantidade e nunca a qualidade?

p.s.: a vitamina D é o melhor remédio natural para prevenção de qualquer vírus gripal.
o nosso almoço



a minha mãe e eu estávamos em casa, a gozar o último dia de férias, e como ela decidiu dormir até quase bater com a cabeça na cabeceira, fiz uma salada gigante de rebentos de rabanete, alfafa e soja, com espinafres e um pepino pequeno aos cubos, regados com um molho composto por cenoura triturada com duas pêras bem maduras, azeite, sumo de limão, alho e cebola, e aproveitei os três últimos tomatitos cereja que tinha. depois partilhámos um pêssego.

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julho 14, 2009



wilson, andrew, beautiful shadow: a life of patricia highsmith (bloomsbury, 2004)

quando vi chegar o livro, ouvi-o sussurrar: "vem cá. de certeza que não me queres? toca a minha capa, vá. e abre-me, folheia-me. sabes quem sou?"

e não sabia, mas patricia highsmith foi uma mulher extraordinária.

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julho 07, 2009

"he set up his tripod and began to take photographs: east, west, all directions, shifting his camera with precision, as though he had marked out a grid on the ground. the camera clicked and clicked, like a gecko in his mating season.
i remembered the photographs in his house and wondered why he was never shown in them. was it because he had always been travelling on his own? 'let me take some pictures for you, so you can be in them as well', i offered.
he declined. 'my face would only spoil the pictures' ."



tan twan eng, the gift of rain (myrmidon books, 2007)

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julho 03, 2009

"a américa faz os melhores fundamentalistas"

a frase é dele, não minha. entrou numa discussão de cariz religioso (de vez em quando, alguma questão política aflora) com alguém infantil que acredita que tem de "mostrar o erro" dos seus interlocutores quando não concorda minimamente com estes. algo que não lhe dá qualquer prazer, mas "por amor", fá-lo.
isto é, anda numa missão de evangelização em que recorre inescrupulosamente a ideias deturpadas sobre outras crenças de modo a que encaixem nos seus silogismos de verdade teológica com o único objectivo de convencer alguém de que a fé em cristo é a única redenção possível.
fundamentalmente absoluto e ingénuo.
"x: disse que a commonwealth britânica do séc xvii, após a vitória do parlamento sobre o rei carlos i, marcou a criação do primeiro governo constitucional e democrático da Europa ocidental, populado por deputados puritanos (cristãos calvinistas). pode-se argumentar pela [sic] democracia grega - donde o nome deriva [não deriva, é exactamente o mesmo: democracia] - mas se leres a república de platão saberás que os gregos tinham-na como forma decaída de governo [e se realmente lerem a república de platão, podem descobrir que platão e outros filósofos e políticos estavam empenhados em manter um equilíbrio socio-político que respeitasse as premissas económicas daquele período naquela região específica, e que a população se exprimisse no sentido de criticar ou elogiar o trabalho dos legisladores], sendo liderada por sofistas e redundando sempre na tirania dum homem que galvaniza o povo [digam-me onde está a diferença relativamente a algumas das democracias que hoje encontramos no ocidente; eu diria inclusivé que o ocasional tirano é já um clássico expulso do ventre descaído da democracia].
porém, as democracias federais de que te falei deviam muito pouco ao modelo grego, que incluia [sic] escravatura e expatriava dissidentes. [muito bem dito, mas a verdade é que as democracias ocidentais tratam os imigrantes como os cidadãos gregos tratavam os seus escravos, o que não invalida a democracia. o escravo não é cidadão, logo não vota. tem poucos direitos. surpreendentemente, a força policial da antiga grécia era composta maioritariamente por escravos.]

junho 25, 2009

há um cliente regular que aparece no 1º e 2º sábados de cada mês na feira da ladra para comprar cuecas usadas: chega, cheira apreciativamente, atira-as para dentro de um saco com um esgar entre o satisfeito e o ansioso, e paga.
se lá estou, fica a olhar para mim durante alguns segundos e desaparece logo a seguir como que acometido de lembranças ou obscenidades. regressa quando, ao longe, vê que já lá não estou.

abril 26, 2009


fiz esta saia esta manhã, acordei com a vizinha de cima a aspirar às sete da manhã.
Blogger Daniel disse...

Assim é a vida na colmeia. Já é razoável que ela não aspire o chão de saltos altos, como nos anúncios.

A saia parece ter ficado bonita.

10/5/09 16:35  

diz ...

abril 14, 2009

há cerca de 2 meses embarquei na viagem da minha vida sem sair do meu canto, do meu mundo.
iniciei-me na filosofia da comida crua.
isso mesmo: comida crua, rica, viva, não cozinhada, não adulterada e, sempre que possível, biológica.
numa semana, perdi 5 quilos. no mês seguinte, mais um quilo que se evaporou.
subtis mudanças ocorreram entretanto: perdi muitos centímetros na cintura, que ficou bem mais definida. as ancas agora afirmam-se como tal, senhoras da minha feminilidade. a minha pele está ainda mais suave.
caramba, vocês não imaginam o bem que isto me fez! agora acordo e sinto-me a vibrar de energia. a capacidade de percepção e de raciocínio melhoraram, mas melhor que isso, estou mais atenta e mais tranquila.
limpou-me por completo! livre de lixo, toxinas, químicos, entulho desnecessário à sobrevivência ou mesmo a uma vida saudável.
fui limpando também o guarda-roupa: livrei-me de coisas velhas, de roupa (tanta, mas tanta!) que deixou de me servir. aliás, restam-me um par de jeans e uns corsários, os únicos que me servem, têm eles quase 5 anos.

o processo de recuperação ideológica começou talvez no ano passado, com uma série de documentários, pdfs e docs, acerca do raw. leva algum tempo, mas quando ouvimos finalmente o "click", não há volta, não conseguimos voltar aos erros que cometíamos, ao lixo com que nos matávamos lentamente.

alguns links interessantes:
raw food explained
raw kitchen blog
daily raw cafe
raw freedom community
gone raw (milhares de receitas deliciosas e um forum muito completo)
garden diet (um documentário feito por eles foi o ponto de partida para mim)
feral foods

uma palestra da drª rozalind gruben
esta é a palestra mais importante se quiserem realmente perceber o tanto que têm a ganhar com uma alimentação saudável.

alguns livros:
12 steps to raw food
conscious eating

março 13, 2009

o meu almoço



esta salada é mais colorida porque misturei-a com manga, maçã e cenoura desfeitas no processador. depois acrescentei dois tomates chucha, duas ameixas secas e reguei com azeite.

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março 03, 2009



laerte, os gatos - bigodes ao léu (devir, 2007).
o meu almoço



salada de alface roxa, espinafres e rúcula, coberta de cenoura e pimento verde picados.
levou gengibre finamente cortado e uma pitada de sal, umas passas e umas avelãs.
infelizmente, a gripe afectou-me de tal forma que acabei por não ficar muito satisfeita com a presença do pimento ali. de resto, tudo delicioso. e comi na saladeira, portanto, é muita comida para mim!


a sobremesa



uma banana madura, 5 morangos médios, sumo de meio limão, raspa de casca de limão, canela e agar-agar. polvilhei com raspas de coco e raspas de casca de limão. simples, bonita e saborosa.

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março 01, 2009


a miki na minha cama...



e surpreendida à janela.
o meu almoço



a partir de uma receita aqui, fiz uma outra (descobri que se tinham acabado as cebolas e não tinha malaguetas):

no processador, desfiz uma manga, umas tiras de abóbora, salsa, gengibre, alho, acrescentei um pouco de água e noz-moscada.
continua poderoso, sobretudo por causa do alho e do gengibre qu vão ajudar a eliminar a gripe que subitamente me atacou.

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marshall mcluhan (1911-1980)



"mcluhan believed that any language carries much more power in itself than any particular message that can be expressed through the language. he saw languages as corporate masks for the collective energy of their speakers."

"technologies create new environments, the new environments create pain, and the body's nervous system shuts down to block the pain (...).
this transition has involved a relentless acceleration of all human activity, so extensive that the expansionist pattern associated with the older technology now conflicts with the contracting energies of the new one."

"man is the only animal to control time as a dimension of his environment."

"society prefers somnambulism to awareness."


in gordon, w. terrence, hamaji, eri & albert, jacob, everyman's mcluhan (mark batty publisher, 2007).

este livro veio parar-me às mãos por acaso; só agora o li, mas o interesse já se instalou: vou ter de ler os originais de marshall mcluhan, onde ele fala sobre os media e como a sua influência na sociedade actual deve ser travada e controlada.

fevereiro 25, 2009

pudenda glorificata

agora já todos sabem que l'origine du monde é uma tela da autoria de gustava courbet, um pintor anarquista francês, pintada em 1866, e que a mesma se encontra exposta não só no musée d'orsay, em paris, como na capa da edição portuguesa do livro pornocracia de catherine breillat, pela teorema.
e aposto que andam todos a perguntar pelo raio do livro em todas as livrarias, munidos de recortes de jornais com a reprodução de courbet, porque, meus caros, estes portugueses são moralistas, não conseguem dizer a palavra vagina sem se engasgarem e por detrás do moralismo escondem-se perversões sexuais que se pretendem ignoradas.

espreitem também o bitaites, fala mais sobre essa disfunção social.

p.s.: o livro é muito mau. mesmo.
nikos kavvadias (1910-1975)



'se réveiller et se trouver dans un pays où l'on vient pour la première fois. on se frotteles yeux, qui sont rougis et fatigués. on voit trouble. des hommes que l'on n'imaginait pas. on s'attache à eux. on s'en va. on se souvient d'eux quand on reste pour un temps chez soi, à l'heure où l'on se couche pour dormir. le souvenir n'a de valeur que quand on sait que l'on repartira pour un nouveau voyage. le pire des areniements, le plus grand désespoir est de jeter l'ancre dans son pays et de vivre de souvenirs.'(1)

o título original deste romance é vardia, que significa "render da guarda". kavvadias foi sobretudo um marinheiro. escreveu sobre as suas melancolias e desventuras, na maior parte das vezes sob a forma de poemas e muito do que escreveu foi adaptado em canções que ainda hoje se cantam por toda a grécia, esse país tão ligado ao mar.
no entanto, escreveu este romance, o seu único romance, e é tão amargo e lógico e repleto de mágoas que, muitas vezes, só se adivinham nas entrelinhas que eu não podia deixar de o referir aqui. li-o como uma grande confissão sem pudor, com o desfile de prostitutas, memórias, portos, paisagens e amigos a fazer de mim uma aspirante a marinheira também.
como se fosse um novo odisseu encalhado entre ilhas e ventos, nikos kavvadias fala do absurdo, mas sobretudo da relação entre o homem e o mar.


(1) in nikos kavvadias, le quart (éditions 10/18, 1994), p. 219. comprei a edição da 10-18 há sete anos, após me ter sido aconselhada a leitura de um poema seu, cujo nome não me recordo, por um ex-marinheiro cliente assíduo da livraria onde trabalho. essa edição esgotou duas semanas depois de a ter comprado. há três meses foi reeditada esta obra intimista, pela gallimard, na sua polida colecção folio.

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