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setembro 18, 2007

ele passava as manhã a cuidar dos jardins públicos e à tarde reparava barcos. a noite poderia trazer descanso para algumas pessoas, mas não para ele, que continuava, à luz de candeeiros moribundos, a trabalhar, com minúcia, no seu passatempo: construir barcos em miniatura dentro de garrafas.
um dia, chegou a casa e o modelo que concluíra na véspera estava a boiar na banheira cheia de água.
"que coisa...", pensou ele, "não deixei a água a correr e a garrafa não voa".
com cautela e algum receio e admiração, retirou a garrafa com o barco no seu interior da água, secou-a e colocou-a sobre a mesa da cozinha. regressou à casa de banho para tirar a tampa e deixar escoar a água, sempre pensando no desperdício que era, mas sem conseguir atribuir culpas.
quando tornou à cozinha, a garrafa estava partida no chão - não percebia como não tinha escutado ruído algum - e o barco, para seu espanto, deslizava em direcção à porta.
por momentos, não soube como reagir: se se zangasse, só se sentiria angustiado e não encontraria solução; se gritasse, duvidava que o barco lhe desse ouvidos; se não fizesse nada, o barco ir-se-ia embora.
ajoelhou-se e observou calmamente o barco na sua marcha esforçada à procura da porta para a rua.
com um suspiro, pensou que talvez compreendesse o desejo do barco. vestiu o casaco, agarrou as chaves e o barco e caminhou até uma das praias junto do porto da cidade, zona que lhe era muito familiar.
no momento em que pousou o barco na água, apercebeu-se de que também ele queria aventurar-se no grande desconhecido.