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junho 15, 2006

ao professor manuel antunes, um herói da minha juventude

no 12º ano, o meu professor de português era um personagem camoniano. ainda não sei bem qual, mas isso não é relevante [nota bene: isto é um elogio grandioso].
na primeira aula sobre os lusíadas, ficou indignado com a falta de jeito geral que a turma demonstrava na declamação dos intrincados versos e, pedindo silêncio, tomou a sua edição indatável nas mãos e após alguns segundos de exercícios de reanimação das cordas vocálicas, o seu vozeirão adamastorengo entoou naquelas quatro paredes.
calou-se, uns dezassete versos depois. os nossos olhos arregalados diante daquele espectáculo fizeram-no acreditar que o mundo não estava preparado para ele.
a minha pele arrepiada ecoou durante o dia inteiro aquela potência sonora. nessa noite, sonhei com o cabo das tormentas, com aquela embarcação à beira do abismo, com aqueles homens e o seu desespero.
na aula seguinte, disse-nos que seria preferível começarmos pelos sonetos de camões, já que não nos achava capazes de compreender realmente a dimensão trágica d' os lusíadas.
eu teria compreendido, estou certa, mas teria pesadelos até ao fim do ano.