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agosto 29, 2005

ela move-se pelo quarto vazio como se dançasse ao som de uma orquestra e diante de um público exigente. de repente, pára diante do espelho e ri. cabelo solto, passeia as mãos pelo pescoço delicado, uma veia menos discreta a incomodar-lhe o sorriso. ritual antigo, gestos antigos, a mão cobre o seio marmóreo e quente, as coxas que se roçam impiedosamente, pedintes.
a figura no espelho prefere segurar o cabelo no alto da cabeça, uns fios teimosos baloiçam perto das orelhas pequenas, os brincos agarram-nos e, ruidosos, entram na brincadeira.
ela torna a rir, deliciada com a simplicidade da beleza.